Marcel Lima - Campo Grande.MS
Somos reféns dos prestadores de serviço. Temos que nominar essas empresas, afinal não estamos inventando nada, apenas compartilhando fatos verídicos. Isso evitará que outros passem pela mesma situação.
Alvaro Chaves - Campo Grande.MS
É muita hipocrisia proibir um "livro" como esse tal "Rio for Parties" por ofender, vulgarizar e rebaixar a mulher brasileira. Ninguém vende mais a imagem da mulher "bunda" brasileira que os próprios governos, redes de TV (principalmente Rede Globo) e a Embratur e, por lógica, uma grande parte delas próprias (carnaval, BBBs, mulher melão, mamão, melancia...)
Fabio Pelegrini - Campo Grande.MS
Outro dia, em uma rede de farmácias bem conhecidas de Campo Grande, uma funcionária da loja ficava oferecendo aos clientes: "Estamos com preço super especial na dipirona! Vamos levar?". Acho um absurdo isso. Eles fazem as pessoas se sentirem doentes. Nada contra os vendedores, mas isso tática invasiva de venda.
Paulo Roberto - Campo Grande.MS
Esta aqui o verdadeiro currículo deste homem Na dúvida, consulte os processos nos tribunais. E todo mundo sabe que o malandrão não tem nem diploma de curso superior, apenas uma boa lábia.
Sergio Eterno - São Paulo.SP
Este cara é genial. Postei uma reclamação de serviços prestados pela Fator Digital, que vive mudando de nome para que a Justiça não a ache. Vamos ver se o Reclame Aqui consegue este façanha.
Ronaldo Dias - Campo Grande.MS
A inveja mora em Campo Grande, barbaridade. O Reclame Aqui é referência nacional.
Fausto N - Campo Grande.MS
Gosto muito do trabalho do Reclame Aqui, é uma pena que o povo de Campo Grande não reconhece o trabalho deste pessoal.
Fernando Basto - Rio de Janeiro.RJ
Que venha logo o Reclame Aqui Cidades!
Vander Loubet - Campo Grande.MS
Parabéns pela matéria de capa. Dei uma lida rápida e vejo como muito importante a discussão sobre como o Brasil é visto e vendido no exterior. Não podemos permitir que as mulheres brasileiras sejam vistas como objeto de turismo sexual, embora essa seja uma triste realidade. Esse tipo de prática precisa ser combatida. O Brasil é um país repleto de riquezas e valores e é isso que precisamos exaltar.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 6 / 38
Artigo da Semana
O massacre no Afeganistão não
foi loucura
Robert Fisk
Jornalista
N
ão era um perverso terrorista sem entranhas - como seria, é claro, se fosse afegão, em especial talibã -, mas apenas um cara que foi à loucura. Essa mesma bobagem foi usada para descrever os soldados estadunidenses homicidas que realizaram uma orgia de sangue na cidade iraquiana de Haditha. Com a mesma palavra se descreveu o soldado israelense Baruch Goldstein, que massacrou 25 palestinos em Hebron, algo que fiz notar neste mesmo jornal, poucas horas antes que o sargento enlouquecesse de repente, na província de Kandahar.
Ao que parece, enlouqueceu, anunciaram jornalistas. Um homem "que provavelmente havia sofrido algum colapso (The Guardian)", um soldado perverso (Financial Times), cujo distúrbio (The New York Times) foi sem dúvidas (sic) perpetrado em um acesso de loucura (Le Figaro). Sério? Supõe-se que acreditamos nisso? Claro, se estivesse completamente louco, nosso sargento teria matado 16 de seus colegas norte-americanos. Ele teria matado seus companheiros e, em se guida, atearia fogo aos corpos. Mas não, ele não matou estadunidenses; escolheu matar afegãos. Houve uma escolha. Por que, então, matou afegãos?
Há uma pista interessante em tudo isso, que não tinha aparecido em reportagens da mídia. Na verdade, a
narração dos fatos foi curiosamente lobotomizada-censurada, inclusive por aqueles que têm tentado explicar o terrível massacre em Kandahar. Lembraram a queima de exemplares do Alcorão - quando soldados norte-americanos em Bagram jogaram os livros em uma fogueira - e as mortes de seis soldados da Otan, incluindo dois norte-americanos, que vieram depois.
Mas explodam-me em pedaços se não esqueceram - e isso se aplica a todas as matérias sobre o recente massacre - uma afirmação notável e extremamente significativa do comandante em chefe do Exército estadunidense no Afeganistão, o general John Allen, há exatamente 22 dias. Na verdade, foi uma declaração tão inusitada que eu recortei as palavras em meu jornal matutino e coloquei o recorte na minha pasta para referência futura.
Quando americanos matam é
loucura, quando árabes matam é
terrorismo
Allen disse aos seus homens: esta não é a hora da vingança pelas mortes de soldados norte-americanos nos distúrbios de quinta-feira. Alertou que eles deveriam resistir a qualquer tentação de revidar, depois que um soldado afegão matou dois norte-americanos. "Haverá momentos como este, em que vocês estarão procurando o significado dessas mortes", continuou. "Momentos como este, em que suas emoções serão governadas pela raiva e pelo desejo de vingança. Esta não é a hora da vingança; é a hora de olhar no fundo de sua alma, de recordar a sua missão, lembrar a sua disciplina, lembrar-se de quem vocês são."
Continue lendo
O massacre no Afeganistão não foi loucura
Foi um chamado extraordinário, vindo do comandante em chefe dos EUA no Afeganistão. O general se viu forçado a dizer para o seu exército, supostamente bem disciplinado, profissional, de elite, que não cobrasse vingança aos afegãos aos quais, supostamente, está ajudando/ protegendo/ educando/ adestrando, etc. Teve que dizer aos seus soldados que não cometessem assassinato.
Eu sei que os generais diziam essas coisas no Vietnã. Mas no Afeganistão? As coisas chegaram a esse extremo? Temo que sim. Porque, por mais que eu não goste de generais, tenho lidado com muitos deles pessoalmente, e geralmente têm uma ideia bastante acertada do que acontece em suas fileiras. E eu suspeito que o general John Allen já havia sido advertido por seus oficiais de que seus soldados estavam irritados com as mortes que se seguiram à queima de exemplares do Alcorão e, talvez, tivessem decidido empreender uma escalada de vingança. Por isso tratou de um modo tão desesperado - em uma declaração tão impactante como reveladora - de prevenir um massacre exatamente como o que ocorreu no último domingo.
No entanto, essa mensagem foi completamente apagada da memória dos peritos quando eles analisaram essa matança. Não se permitiu em seus relatos nenhuma alusão às palavras do general Allen, nenhuma referência, porque, naturalmente, isso teria tirado o nosso sargento do grupo dos enlouquecidos e lhe teria dado um possível motivo para o massacre. Como de costume, os jornalistas tiveram que meter-se na cama com os militares para procriar um louco e não um assassino. Pobre rapaz: andava mal da cabeça. Não sabia o que fazia. Não é de admirar que o tenham tirado do Afeganistão tão rápido.
Todos tivemos nossos massacres. Há My Lai (aldeia vietnamita onde, em 16 de março de 1968, centenas de civis, na maioria mulheres e crianças, foram executados por soldados do exército dos Estados Unidos), e nosso próprio My Lai britânico, em uma aldeia da Malásia chamada Batang Kali, onde os guardas escoceses - envolvidos em um conflito contra os insurgentes comunistas - assassinaram 24 indefesos trabalhadores da borracha, em 1948.
Claro, pode-se argumentar que os franceses na Argélia foram piores que os norte-americanos no Afeganistão - diz-se que uma unidade de artilharia francesa fez desaparecer 2 mil argelinos em seis meses -, mas isso é como dizer que somos melhor que Saddam Hussein. Certo, mas veja que parâmetro de moralidade.
É disso que se trata. Disciplina. Moralidade. Valor. O valor de não matar por vingança. Mas quando se está perdendo uma guerra que se finge estar ganhando - me refiro ao Afeganistão, é claro -, suponho que isso seja esperar demais. Parece que o general Allen perdeu seu tempo.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 7 / 38
Resumo da Semana
Pau no STF
Relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) e futuro presidente da corte, o ministro Joaquim Barbosa chamou seu colega de tribunal Cezar Peluso de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativista", "desleal", "tirano" e "pequeno" em entrevista publicada no último dia 20 no jornal "O Globo". A crise foi escancarada após a posse de Carlos Ayres Britto na presidência do Tribunal no lugar de Cezar Peluso.
Continue lendo
País de Índio
Entre 1991 e 2010 a população indígena se expandiu de 34,5% para 80,5% dos municípios do país, segundo dados do IBGE. As 817 mil pessoas que se autodeclararam indígenas no Censo 2010 representam 0,4% da população nacional. Não foram alvo da pesquisa os povos indígenas brasileiros considerados "índios isolados", os quais, pela própria política de contato, não foram entrevistados. A população indígena de Mato Grosso do Sul cresceu 3,1% no período. Há no Estado 73.295 pessoas que se declararam de etnia indígena.
Mensalão Adiado?
O ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que se o julgamento do mensalão não for concluído até 30 de junho, ficará para o ano que vem. Segundo o ministro, o principal fator que inviabiliza o julgamento do caso no segundo semestre são as eleições, que acontecerão dia 7 de outubro (e 28 de outubro, no caso de 2° turno). A partir de julho, seis dos 11 ministros do Supremo também estarão ocupados com o processo eleitoral, pois além do STF, fazem parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para Britto, "não é bom que um processo dessa envergadura corra em paralelo com o eleitoral".
Policiais Protestam
Policiais militares rejeitaram no último dia 20 a proposta do governador André Puccinelli (PMDB - MS) sobre negociação salarial. O sindicato vai elaborar uma contraproposta pedindo 15% de aumento. Entretanto, o governador já avisou que não negociará diante de ameaças de paralisação. Os policiais reivindicam inicialmente um aumento de 25%, mas o governo ofereceu reajuste de 9,15%.
Agressão
O homem que foi filmado agredindo a filha de 9 anos disse que seu único desejo é que a menina o perdoe pelas agressões. Morador do bairro Mário Covas (Campo Grande – MS) ele disse ter perdido a cabeça depois que a filha quebrou um ímã de geladeira. A denúncia partiu de um vizinho que filmou as agressões no último dia 13. As imagens foram entregues à Polícia Civil, que prendeu o homem em flagrante com base na Lei Maria da Penha.
Pau no STF
As declarações de Barbosa rebateram uma entrevista que Peluso concedeu ao site "Consultor Jurídico", em que ele fala sobre os problemas de saúde de Barbosa (que trata uma doença crônica na coluna, que o obrigou a tirar licença médica), onde considerou-o "inseguro" e uma pessoa de "temperamento difícil". Ao chamar a gestão de Peluso de "desastrosa", Barbosa ressaltou ainda que ele "incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista" e foi além: "As pessoas guardarão a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade. Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais ou simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento”, afirmou.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 8 / 38
Ágora Digital
Aécio aposta em Azambuja
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) lançou a candidatura do deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) a prefeito de Campo Grande (MS). Pré-candidato à presidência em 2014, Neves quer fortalecer o partido em todo o país e criar bases para a disputa que se avizinha. A confirmação da candidatura interrompeu uma aliança de 20 anos entre tucanos e peemedebistas na capital do Mato Grosso do Sul. Bom político, o senador não fechou portas ao diálogo. Elogiou o governador André Puccinelli e o prefeito Nelsinho Trad e disse que haverá muita conversa até 2014.
Zeca na Câmara
O ex-governador Zeca do PT vai disputar uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande (MS). A ideia é fortalecer a pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) a Prefeitura da capital do estado. Durante o ato que marcou sua candidatura, Zeca disse que o PT tem um projeto estratégico que passa pelas eleições de 2012 e termina em 2014, quando o senador Delcídio do Amaral (PT) deve ser lançado como candidato ao Governo do Estado.
Nelson Trad
O ex-deputado federal Nelson Trad, que faleceu no dia 7 de dezembro do ano passado, foi homenageado no último dia 17 no Congresso Nacional. Sua postura ética e moral, retidão de espírito e honestidade no trato da coisa pública foram destacados por 24 deputados federais que se pronunciaram na solenidade. A esposa de Nelson Trad, Terezinha, e os filhos - Nelsinho, Fabio, Marquinhos, Fátima e Maria Tereza - também estiveram presentes na solenidade de homenagem.
O Gaúcho
vai voltar?
Diante do lançamento da candidatura tucana em Campo Grande (MS), o governador André Puccinelli (PMDB) deve devolver o secretário estadual de Habitação e Cidades, Carlos Marun (PMDB), à Assembleia Legislativa. O objetivo é tirar a vaga do deputado professor Rinaldo Modesto (PSDB) e enfraquecer a candidatura do PSDB na capital sul-mato-grossense.
Stalinistas
e Tucanos
O ministro dos Esportes Aldo Rebelo, principal liderança nacional do PCdoB, disse que seu partido não se opõe a uma possível aliança com o PSDB na disputa pela capital sul-mato-grossense. Aliado histórico do PT no estado, o PCdoB tem aventado uma aproximação com o tucanato local: estão divididos entre os deputados federais Azambuja (PSDB) e Vander Loubet (PT).
E o Bernal?
O deputado estadual Alcides Bernal (PP-MS) ainda não sabe se assume de vez o desafio de disputar a prefeitura de Campo Grande, se aceita o convite do PMDB para juntar-se ao deputado federal Edson Giroto ou se opta por outra proposta qualquer. Giroto tem dado sinais de que acredita em uma parceria com o PP na vice-prefeitura. No entanto, Bernal - que tem liderado as pesquisas de intenção de votos na capital - garante que seu partido terá candidatura própria.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 9 / 38
Entrevista
Por trás das urnas
Por Guilherme Cavalcante Fotos: Elis Regina
Os avanços tecnológicos permitiram que o Brasil se tornasse exemplo mundial de celeridade e segurança nos processos eleitorais. Muito disso se dá por conta da implantação de urnas eletrônicas, que conseguem divulgar no mesmo dia os resultados da disputa eleitoral. Entretanto, existe um trabalho coletivo fundamental para garantir os 60 segundos que passamos na cabine de votação. Além de organizar o certame, também são promovidas uma série de outras ações que garantem o direito constitucional ao voto (atualmente, mais uma obrigação que um direito). Em Mato Grosso do Sul, existem aproximadamente 1,735 milhões de eleitores, divididos em 54 Zonas Eleitorais – pessoas que deverão comparecer às urnas no dia 7 de outubro para escolherem representantes municipais. Para saber como andam os preparativos, Semana Online conversou com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o desembargador Josué de Oliveira, segundo quem os cartórios eleitorais já estão preparados para enfrentar todas as adversidades que o estado apresenta, além de lidar com as novas resoluções eleitorais que passam a vigorar neste ano.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 10 / 38
Entrevista
Como está sendo a preparação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) para as eleições municipais deste ano?
Desde o ano passado nós já temos envolvido toda a equipe do Tribunal na preparação das eleições de 2012, inclusive o pessoal da tecnologia da informação, que é quem preparam as urnas e que executa o trabalho de logística. No nosso entendimento, pensamos que estamos preparados para enfrentar estas eleições. Essa preparação com uma certa antecedência já nos mostra o caminho que temos que seguir. Claro, podem surgir problemas e aí nós teremos que enfrentá-los.
A Justiça se aproxima dos eleitores e pede que não deixem para regularizar a situação na última hora
Que tipo de problemas o senhor acha que são possíveis de aparecer?
São as dificuldades normais. Na verdade, toda eleição sempre tem algum aspecto peculiar. O que a gente demonstra maior preocupação é em relação a alguns pontos do território que exigem maior cuidado em relação à segurança. Por exemplo, nós temos regiões onde os ânimos são mais exaltados...
Quais regiões?
Temos o caso de Alcinópolis, onde houve o assassinato de um vereador. Ali, então, devemos concentrar nossa maior preocupação em função da segurança que devemos proporcionar. Mas também existem outras regiões que eventualmente também nos preocupam, principalmente na região de fronteira, onde pessoas se aproveitam desse limite territorial do país para fazer do lado de lá propaganda para gente do lado de cá. Mas são situações que nós já buscamos entender para procurar solucionar da melhor maneira.
As campanhas nacionais de sensibilização de eleitores já estão sendo exibidas na TV. Como este trabalho está acontecendo no estado?
Além dessa propaganda, que é feita em âmbito nacional, nós temos realizado trabalhos itinerantes. O cartório eleitoral vai até os pontos mais distantes das zonas urbanas para proporcionar atendimento ao eleitor que tem dificuldade de ir até o cartório. A exemplo disso, tivemos recentemente um atendimento nos altos da Avenida Afonso Pena (em Campo Grande - MS). Foi uma ação social desenvolvida por uma entidade, e nós participamos com bastante satisfação. Tivemos, só no domingo, 300 atendimentos. Quer dizer, a Justiça se aproxima dos eleitores à medida que também pede a eles que não deixem para regularizar a situação na última hora, que será dia 9 de maio.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 11 / 38
Entrevista
As urnas eletrônicas foram a primeira grande revolução tecnológica no campo da segurança no processo eleitoral. E esta modernização avança. Nesse sentido, algumas cidades de Mato Grosso do Sul já farão reconhecimento biométrico de eleitores. Será dispensada atenção especial às cidades participantes?
Nós tínhamos um único município no estado com identificação através da biometria, que era Fátima do Sul, e este ano ampliamos o número de municípios com essa tecnologia. Agora nós também teremos Sidrolândia, Jateí, Vicentina, Camapuã e Ribas do Rio Pardo. Serão aproximadamente 70 mil eleitores que votam por esse tipo de sistema. O único cuidado é que à medida que vamos fazendo o recadastramento dos eleitores para esse novo sistema, as urnas também serão devidamente preparadas com tecnologia diferenciada que não aceitará a identificação que era feita através do mesário. Agora só com a impressão digital.
A votação no Supremo Tribunal Federal (STF) pela constitucionalidade da lei da Ficha Limpa e a aplicação da matéria para as eleições deste ano está sendo apontada como o ponto alto do processo eleitoral que se aproxima. Como o senhor avalia a questão?
Tenho a impressão de que vamos ter uma maior quantidade de trabalho por força da decisão do STF. Certamente, vão surgir muitas impugnações e recursos e estamos preparados para responder a demanda. Mas para o TRE, cada caso é um caso. Por ocasião do registro do candidato, o juiz eleitoral vai analisar os documentos que a lei exige para o registro e vai decidir se o defere ou indefere. E aí, dependendo da circunstância e do juiz, podem haver recursos para o TRE, que vai analisar se a decisão do juiz está ou não correta. Nesse caso ainda pode haver recurso para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim é o procedimento.
Em 2012, mais do que nunca, os olhares se voltam para a relação entre as redes sociais e as eleições. Como o senhor analisa esse fenômeno?
Acho que é válida essa intenção de que toda pessoa que tenha pretensões eleitorais demonstre seus propósitos e sua vontade de contribuir para a melhoria da sociedade por meio da Internet. Tudo isso me parece válido e o sistema democrático aplaude. Claro, será condenável se esse indivíduo usar esses meios para ludibriar eleitores. Logo, penso que todo eleitor deva avaliar as propostas das pessoas que se disponham a se candidatar a cargo público, já que fazer uso destas tecnologias não necessariamente revela compromisso.
O uso eleitoral da Internet é disciplinado tanto pela lei eleitoral como por resoluções do TSE
Que cuidados o TRE-MS terá para acompanhar as campanhas virtuais durante o processo eleitoral de Mato Grosso do Sul?
É difícil a gente limitar ou fiscalizar todas as ferramentas. Porém, como já disse, acho que também faz parte do sistema democrático que cada um exponha seu pensamento e que ele alcance o maior número possível de cidadãos. O uso da Internet, principalmente em matéria eleitoral, é disciplinado tanto pela lei eleitoral como por resoluções que o TSE editou já normatizando esse processo eleitoral de 2012, como foi o caso da proibição do uso do Twitter por candidatos antes do período de propaganda eleitoral. Então, se o pretenso candidato se pautar dentro daquilo que está previsto tanto na lei como nas resoluções, não tem como errar. O problema só ocorre quando se ultrapassa o limite da lei. O Ministério Público está vigilante e qualquer cidadão pode denunciar às autoridades as possíveis irregularidades para que o TRE tome as providências.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 12 / 38
Entrevista
A reforma política, em discussão no Congresso Nacional, pode transformar nos próximos anos a atual logística dos processos eleitorais. Como o senhor analisa a situação?
Eu, particularmente, considero-me mais técnico que propriamente os conhecedores dos meandros da política para opinar sobre esse assunto. Mas acho difícil que se conciliem todos os interesses. Acho que a reforma política devia se centralizar em objetivos mais específicos. Acho que as mudanças deveriam ser mais restritas.
Se facultar [o voto], acho que não haveria representatividade como há no sistema obrigatório
Como assim?
Por exemplo, nós sempre tivemos essa normatização pela obrigatoriedade do voto. Minha opinião é que ainda deveria continuar obrigatório por algum tempo, pelo menos até que estivéssemos conscientes do que é o poder de participar ou não nas eleições. Também porque atualmente nós já vemos certa abstenção de voto. Se facultar, fica mais complicado, acho que não haveria representatividade como há atualmente no sistema do voto obrigatório.
E em relação às eleições unificadas? Não poderia haver um ganho para o país com menos interrupções por conta da escolha dos representantes?
Tem pontos positivos e negativos, claro. Mas pessoalmente, entendo que a divisão dos pleitos de dois em dois anos seria melhor. Acabamos de sair de um pleito em 2012. Ano que vem, que não terá eleições, será um ano para reorganizar nosso serviço para que em 2014 estejamos novamente preparados para o pleito. De quatro em quatro anos, nossa realidade seriam dois
anos ociosos, um ano de preparação e um ano de deflagração do processo eleitoral. Então, parece-me que eleição a cada dois anos ainda é o método mais apropriado para nossa realidade.
E financiamento público de campanha? A implantação desse sistema traria algum ganho real no combate à corrupção e na representatividade popular?
Tenho uma certa dúvida se haveria interferência nesse processo de corrupção. Atualmente, nós temos um procedimento misto de financiamento de campanha. Os partidos políticos recebem uma determinada verba pública para sua manutenção e para suas atividades políticas. O anteprojeto que li, que estava tramitando no Senado, dizia que haveria o financiamento total, exclusivamente com verba pública, das campanhas. Haveria uma fórmula, que levaria em conta o total de eleitores no país e multiplicaria por um certo valor, que o legislador entendeu que seria o custo de cada voto, e aí então estabeleceriam aquele valor ao Orçamento da União, que o distribuiria proporcionalmente aos partidos. Mas, sinceramente, não saberia dizer com segurança se essa fórmula iria inibir ou diminuir esse problema de caixa dois, de corrupção...
Então o que o senhor apontaria como uma fórmula ideal para o procedimento eleitoral?
É uma questão que me coloca em dificuldade para responder. Normalmente esses procedimentos eleitorais são resolvidos pelos políticos. Como integrantes da Justiça Eleitoral, nós apenas recebemos as leis que são votadas pelo Congresso e fazemos uma interpretação delas. Na medida em que esta lei está sendo aplicada, verificamos seus defeitos e virtudes, de forma que os próprios políticos observam as necessidades de mudança pela jurisprudência do judiciário. Sinceramente, não saberia dizer qual seria o melhor sistema.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 13 / 38
Danilo: o Músico
A alma de Cuba ainda repousa na boa música que embala a ilha
Por Victor Barone
S e ainda há uma aura de inocência na Havana romântica, ela esta na alma de cada músico que ocupa suas ruas, esquinas, bares e restaurantes, onde o som característico das claves, das maracas e congas marca o ritmo alegre da rumba, da conga, do mambo, do chá-chá-chá e também da melancólica guajira. É impossível circular pelo centro de Havana, pela Havana Velha, sem ouvir os muitos compassos que embalam esta cidade tão musical, sem se deixar levar pela estranha emoção que nos atinge - latinos que somos - pelas ruas da capital de Cuba.
Via de regra, qualquer restaurante ou bar em Havana abriga boa música cubana, um repertório cuja base está fincada nos compositores clássicos da música local, além de todas as canções que se fizeram conhecidas mundialmente a partir do estrondoso sucesso do Buena Vista Social Club.
Mas, assim como as novelas, a música brasileira também é muito apreciada pelos cubanos. Ela circula em fitas cassete e CD´s - trazidos para a ilha por turistas - que acabam indo parar nas mãos dos nativos. Foi exatamente esta paixão pela música brasileira que abriu as portas para uma conversa de mais de duas horas entre eu e o violonista Danilo Sancho, em uma tarde regada a mojitos na afamada La Bodeguita Del Medio, um bar localizado na Velha Havana, imortalizado pelo escritor Hernest Hemingway. Enquanto ele executava as peças do repertório, ao lado de mais quatro músicos, eu observava o movimento na Bodeguita. Nos intervalos, entabulávamos nosso papo.
Músico autodidata, contabilista por formação, Danilo é o protótipo do cubano: alegre, comunicativo, curioso. “Amo a música brasileira. Roberto Carlos, Tim Maia, Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso... tenho muita coisa deles”, avisou. A maioria do acervo musical de Danilo foi
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 14 / 38
Especial Cuba
reunido a partir de doações. “Se puderes mande-me José Augusto. Maravilhoso interprete. Tenho alguns de seus discos em espanhol, mas me faltam os primeiros”, explicou, anotando seu endereço em um guardanapo. Comprometi-me a localizar as preciosidades de meu amigo e lhe enviar por correio.
Casado, pai de um filho, Danilo, como todos os músicos que atuam nos bares e restaurantes cubanos, é funcionário do Estado. Ganha 157 pesos cubanos (6,40 CUCs ou 6 dólares) por mês para tocar das 8h às 17h. Esta renda é complementada pelas gorjetas (honestamente divididas pelos integrantes do grupo ao final do dia) e pela venda de CD´s de música cubana. Desta forma, no final do mês, ele consegue angariar cerca de 3.500 pesos cubanos (140 CUC´s ou 135 dólares), o que lhe permite se classificar como uma pessoa de classe média baixa. “Vivo como uma empregada doméstica no Brasil. Não tenho carro, nem luxos. Como, estudo, vivo cada dia”, explica, usando o exemplo que lhe vem a mente a partir das nossas novelas.
Curioso a respeito do modo de vida em uma democracia liberal, Danilo se mostra surpreso ao ouvir-me explicar o funcionamento dos três poderes. “Lula não pode fazer o que quer? Tem que ter autorização dos políticos?”, perguntou, tentando decifrar a relação entre o Executivo e o Legislativo no Brasil.
“Então você é jornalista? Mas, trabalha para algum jornal? Para uma
emissora de TV?”. Explico que não, digo que sou um aventureiro midiático
que tenta estabelecer um negócio próprio em meio à prostituição da
informação. Danilo se mostra surpreso. “Mas como ganhas
dinheiro?”. Novamente, explico que vivo da publicidade veiculada na
revista, já que seu acesso pela internet é gratuito.
Chan Chan. Uma das últimas composição do mítico Compay Segundo. Escrita em 1987, tornou-se mundialmente conhecida a partir do filme e dos shows do Buena Vista Social Club
Músicos de rua executam Guantanamera, um dos patrimônios do cancioneiro popular cubano, de autoria de José Martí e Josito Fernandez.
Uma cena do documentário Cuba Feliz, dirigido por Karim Dridi, que acompanha a peregrinação de Gallo — violonista de extrema habilidade e de uma voz rara — até Havana.
O grupo Madera Buena executa a canção Hasta Siempre Comandante Che Guevara, do compositor Carlos Puebla, no Café La Mina, na Plaza de Armas.
“Não temos internet aqui. Então, alguém lhe paga para que você coloque um anúncio em sua revista. Não há publicidade aqui em Cuba, apenas os cartazes do partido e da revolução”, disse Danilo antes de ser convocado para executar Chan Chan, composição do mítico Compay Segundo.
Todos no bote Buena Vista
Todos no bote Buena Vista
O fenômeno mundial do Buena Vista Social Club, surgido em 1996, serviu como um bote salva-vidas para centenas de talentos da velha guarda da música cubana e, também, para os ilustres desconhecidos que hoje vivem da música na ilha. “Depois do Buena Vista o turismo aumentou, aumentou também o interesse pela nossa música”, explica Omar, baixista que acompanha Danilo na Bodeguita.
A ideia do músico cubano Juan de Marcos González era reunir artistas de várias gerações para gravar um disco. O guitarrista americano Ry Cooder topou o desafio de produzir o trabalho. O resultado foi um sucesso inesperado com mais de um milhão de cópias vendidas. O trabalho atraiu a atenção do cineasta alemão Win Wenders que investiu em um documentário. O disco levou Grammy em 97 e o filme alguns prêmios e várias indicações, inclusive ao Oscar.
O Buena Vista reuniu instrumentistas e cantores que, em sua maioria, vivia de aposentadoria do Estado ou bicos. Ibrahim Ferrer, por exemplo, ícone do grupo, completava o orçamento como engraxate. Gente como Compay Segundo, Barbarito Torres, Amadito Valdéz, a diva Omara Portuondo e o violonista Eliades Ochoa, além de outros, saíram do ostracismo de mais de 40
anos para recomeçar a carreira em grande estilo. Esta revolução musical atingiu também a Danilos e Omares.
Assisti ao show “Buena Vista Social Club Oficial” no Café Taberna. À
primeira vista a impressão era de que se tratava de um cover do que nós
conhecemos como Buena Vista Social Club. Um naipe de metais, acompanhado
por instrumentos típicos, guitarra, bateria e contrabaixo faziam a base
para que um grupo de cantores e cantoras das antigas recordasse os
sucessos cubanos da década de 50 e 60. Pouco a pouco fui percebendo, e
confirmando com bom papo, que aqueles senhores e senhoras ali de pé eram
ícones da música local, assim como Compay, Omara e Ibrahim. “Eles não
são tão famosos no exterior, mas são bem conhecidos aqui. Há alguns anos voltaram à ativa”, me
explicou um garçom.
Ao voltar ao hotel aproveitei para comprar charutos. Uma vendedora
perguntou sobre minha noite. Disse a ela de minha experiência no Café
Taberna e que, apesar de ter amado a música, havia ficado com um pouco
de pena daqueles “velhinhos” cantando suas velhas canções para os
turistas. Ela me olhou e disse: “Não se preocupe, eles gostam. É isso o
que os mantém vivos”.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 15 / 38
Inconsequência ao volante
Por Guilherme Cavalcante
ALei Seca foi criada com um fim específico: desestimular condutores - por meio de medidas administrativas e penais - a guiarem veículos sob o efeito de bebidas alcoólicas. Entretanto, o que parecia ser a esperança de um sistema de trânsito menos violento, acabou se tornando uma lei praticamente natimorta. Desde sua sanção, a Lei Seca vem enfrentando interpretações que, em vez de inibir a direção perigosa, promovem a impunidade.
O que leva um motorista sob efeito de álcool a assumir o risco de conduzir um veículo e quais medidas adotar para inibir esta situação?
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 16 / 38
Comportamento
O mais novo golpe contra a matéria foi uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que no final de março determinou que para comprovar a embriaguez de um motorista (e, consequentemente, o crime de trânsito), somente o exame de sangue ou o teste do bafômetro podem ser usados como evidências. Provas testemunhais, portanto, só teriam validade para as penas administrativas. Como ninguém é obrigado a fornecer provas contra si, conforme aponta a Constituição Federal, a Lei Seca tornou-se inócua. Uma reflexão rápida: quem, tendo ingerido álcool e conduzindo um veículo, aceitaria fazer o teste do bafômetro e arcar com as consequências?
Mas a pergunta que fica, na verdade, é o que leva alguém assumir o risco de dirigir sob efeito de álcool. Mesmo com as campanhas educativas e com as manchetes de jornais que retratam acidentes fatais envolvendo motoristas embriagados no fim-de-semana, as pessoas continuam ignorando os perigos da estrada - potencializados quando funções motoras estão afetadas em função do álcool.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde feita por telefone e divulgada nas últimas semanas apontou que 4,6% dos entrevistados admitiram dirigir após beber qualquer quantidade de bebida alcoólica. Realizada a partir de mais de 54 mil entrevistas, nas 26 capitais e no DF, o estudo também ajudou a traçar o perfil dos infratores: o hábito de beber e dirigir é mais comum entre os 25 e 44 anos, tendo maior proporção entre homens, independente da faixa etária - 8,6% dos entrevistados admitiram conduzir veículos após beberem enquanto as mulheres representam apenas 1,2% do total.
Em 2011, foram registradas 131 mortes por acidentes de trânsito. Este ano, já são 30 óbitos
As informações pertencem à pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011) e também trazem outros dados alarmantes. Campo Grande (MS), por exemplo, é a 6a na lista das capitais onde pessoas
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 17 / 38
Comportamento
assumem dirigir sob qualquer nível de alcoolização, 6,1% dos entrevistados. A campeã é Florianópolis (SC), com 9,6%, enquanto em Belém somente 2,5% declaram conduzir veículos após beberem. Esses números se relacionam com estatísticas da capital sul-mato-grossense. Não foi um ano doce: os números de óbitos em Campo Grande, entre condutores, passageiros, ciclistas, pedestres e motociclistas, foram 131 mortes. Em 2012, até o dia 20 de abril, já foram contabilizados 30 óbitos.
Rascunhar relações entre o número de acidentes de trânsito envolvendo
alcoolemia e o comportamento humano é um trabalho árduo, principalmente
se levarmos em conta de que se trata de um problema
que requer análises
profundas, entre diversas áreas de conhecimento. “Desconheço a relação entre acidentes graves e fatais e tendências ao individualismo, mas podemos dizer que o uso do transporte individual motorizado potencializa ações mais individualizadas, assim como a sociedade do consume sugere o tempo inteiro que, ao adquirirmos um produto nos tornamos único e diferente dos demais”, explica a pesquisadora em Mobilidade Humana e Subjetividades e doutora em psicologia (USP) Gislene Macêdo.
Distinção Social
Sociedade Alcoolizada
Câmara reage
Distinção Social
De acordo com Macêdo, existe o entendimento de que condutores de carros e
motos se diferenciam de quem anda a pé ou usa transporte coletivo. Já
entre os proprietários desses veículos, também existe outro grau de
distinção por tipo e marca dos veículos, que insinua a faixa econômica e
social de cada um. “Quanto mais reforçamos a competitividade em nossas
vidas, menos nos preocupamos com os que nos circundam. Percebo que isso
corrobora para a realidade de acidentes de trânsito no Brasil e no mundo”, aponta. O problema obviamente também se
agrava pelas péssimas condições de mobilidade sustentável, representada
por transportes coletivos urbanos extremamente precários e, obviamente, o
empobrecimento dos cuidados com o espaço público.
Já as razões que levam um condutor a assumir o risco de dirigir após a
ingestão de álcool parecem ser mais claros. Numa sociedade em que somos o
tempo inteiro estimulados ao glamour do consumo de álcool, a equação
não poderia ter outro resultado. “A indústria de bebidas é impositiva no
mercado, patrocina eventos festivos, esportivos, de moda, arte. No
entanto, quando a população bebe há uma taxação sobre cada um, como se o
problema pudesse ser resolvido pelo rigor de uma lei. Não é bem assim. O
campo das suposições é infinito, mas o mundo em que vivemos, no modelo
que adotamos, é adoecedor em várias medidas. Talvez o modo de viver
nossas vidas precise mudar”, considera Gislene Macêdo.
Sociedade Alcoolizada
Considerado um percentual alto, o índice de alcoolistas no Brasil é estimado em 12,3% da população, segundo dados do Ministério da Saúde. O índice chama a atenção das autoridades: após a divulgação da pesquisa Vigitel 2011, o próprio ministro da Saúde considerou que o resultado exige o reforço das ações para a redução de mortes e lesões no trânsito, em todo o país. “Medidas legislativas como o Código de Trânsito Brasileiro e a Lei Seca têm sido muito importantes para a prevenção dos acidentes de transporte terrestre. Por isso, é fundamental implementar e fortalecer essa Lei, reforçar a fiscalização, além de adotar medidas de comunicação e educação de forma continuada e sistemática”, disse.
Mas afinal, quais medidas os estudos atuais apontam para equalizar esta problemática? A deficiência está na fiscalização, na legislação ou na conscientização dos atores no trânsito? Um dos caminhos, afirmam especialistas, tem início no mapeamento dos acidentes graves e fatais dentro das cidades, com o fim de diagnosticar a principal razão dos acidentes. “É o que estamos fazendo em Campo Grande”, revela Ivanise Rotta, chefe da Divisão de educação para o trânsito da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) da Prefeitura Municipal de Campo Grande.
Desde maio de 2011, a agência inaugurou o Placar da Vida, um sistema estatístico que contabiliza óbitos (de condutores, passageiros ou de terceiros) no local do acidente ou em decorrência de um acidente de trânsito num período de até 30 dias de internação. A cada óbito, o placar é zerado. Até o momento, a cidade contabilizou apenas 19 dias seguidos mortes. “Hoje sabemos que o fator determinante desses acidentes fatais é o excesso de velocidade. Em segundo lugar está a combinação do álcool com a direção do veículo. A interação desses fatores sempre tem consequências catastróficas”, assinala.
Para Gislene Macêdo, a solução está em quebrar o ciclo vicioso que proporciona o cenário atual. “A indústria de bebidas precisa de um freio, enquanto as gestões públicas municipais e estaduais precisam ofertar meios de transporte seguros nos períodos noturnos para que as pessoas possam sair para se divertir e possam retornar às suas casas sem precisar usar o seu veículo particular. E todos nós precisamos estar mais cônscios de que beber e dirigir são incompatíveis”, conclui.
Câmara reage
A primeira reação a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) partiu da Câmara dos Deputados, com apoio de diversos segmentos do governo, dentre eles, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foi aprovado do dia 11 de abril uma matéria que, se sancionada, promoverá mais rigor à Lei Seca e que também ampliará as maneiras de comprovação de embriaguez de condutores. De acordo com o projeto de lei, que ainda será apreciado no Senado até a sanção presidencial, testemunhos e vídeos poderão ser usados como prova criminal.
O projeto de Lei tenta neutralizar a ação do STJ quanto aos instrumentos de provas, já que somente o teste do bafômetro ou exame se sangue são aceitos como prova do grau de alcoolemia. Além de potencializar os instru-
mentos de detecção do consumo de álcool, o texto aprovado na Câmara não pede a identificação de embriaguez, mas sim o comprometimento da "capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência".
Assim, teste de alcoolemia, exame clínico, vídeos, provas testemunhais e perícias serão aceitos como provas. Por outro lado, para evitar abusos contra os condutores, a matéria também permite o “direito à contraprova”, quando o motorista discordar dos resultados destes testes. No entanto, a multa, que atualmente é de R$ 957,70, deverá dobrar e passar a valer R$ 1.915,40 - dobrado novamente caso o condutor seja reincidente na infração em menos de 12 meses.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 18 / 38
Enquete
Maioria dos leitores desaprova decisão do STF
Apenas 18,52% dos votantes concordam com
a decisão do Supremo sobre a Lei Seca
Guilherme Cavalcante
Aúltima pesquisa de opinião dos leitores da Semana Online no Facebook abordou a questão da validade da Lei Seca, que se tornou inócua após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STF). No dia 28 de março, com cinco votos contra e quatro a favor, o órgão decidiu que somente provas materiais, como o teste do bafômetro e o exame de sangue, estão aptos a atestar a embriaguez de condutores em blitze da Lei Seca. “O Poder Executivo editou decreto e, para os fins criminais, há apenas o bafômetro e exame de sangue. Não se admite critérios subjetivos”, relatou o desembargador Adilson Macabu, que conduziu o voto vencedor. “Mais de 150 milhões de pessoas não podem ser simplesmente processados por causa de uma mera suspeita”, completou.
Desta forma, provas testemunhais, seja de agentes de trânsito ou de qualquer outro indivíduo, e até exames médicos serão descartados pela Justiça. A explicação do STJ para a decisão para que provas testemunhais sejam legalmente desconsideradas é que elas podem proporcionar abusos contra condutores.
Lei inócua
Decisão equivocada
É direito constitucional
Lei inócua
A Lei Seca aponta que é crime dirigir com uma quantidade de álcool acima de seis decigramas por litro de sangue. Ocorre que a quantidade de álcool ingerido só pode ser comprovada por meio do teste do bafômetro ou exame de sangue. Tal decisão faz da matéria cada vez menos eficaz. A propósito, desde sua sanção, diversos entendimentos de órgãos colegiados abriram precedentes para impunidade. No caso da decisão do STJ, a lei se esvazia, já que, constitucionalmente, ninguém é obrigado a produzir provas contra si.
Para doutora em Psicologia (USP) e pesquisadora em Mobilidade Humana e Subjetividades, professora Gislene Macêdo, apesar da polêmica, é preciso respeitar a prerrogativa legal. “Do ponto de vista ético, quem não deve não teme e faz sem problema o exame ou o teste do bafômetro. Mas precisamos superar o legalismo. Há outros exames que podem evidenciar o uso de bebida alcóolica que deveriam ser
considerados”, considera a pesquisadora, que também é professora da Universidade Federal do Ceará.
Porém, Macêdo levanta outra questão: “Penso que isso passa a ser uma preocupação, porque há uma certa desconfiança na competência daqueles que fariam esses outros exames, com o risco de uma avaliação precipitada ou abuso de poder. Aí, de fato, o direito de não fornecer provas contra si pode proteger a todos”, aponta.
O tema é delicado e divide opiniões. Semana Online perguntou aos leitores no Facebook qual o entendimento sobre a decisão do STJ. Dos total de votos da enquete, 18,52% (30 votos) foram favoráveis a decisão enquanto 6,18% (10 votos) não tinham opinião formada. A esmagadora maioria, entretanto, somou 75,3% (122 votos) contra a decisão do STJ. Os comentários você confere nas próximas seções.
Decisão equivocada
O jornalista Ico Victório é um dos que se revela insatisfeito com a decisão do STJ e que comentou na enquete. Para ele, a decisão é absurda.
“Aliás, a nossa Justiça esmera-se, sempre, no dever de tomar decisões equivocadas quando a matéria trata de questões de larga utilização social”, considera.
O arquiteto Fernando Batiston faz coro ao entendimento de que o Poder Judiciário tomou uma decisão antidemocrática: “. Na verdade, ando cansado do judiciário proteger culpados em detrimento de suas futuras vitimas. Um dia a sociedade vai se arrepender amargamente de sua apatia”, diz. O leitor Dante Sempiterno, que também se mostrou contra a decisão.
“Há incongruência: se não podemos acreditar em nossa polícia, que ela não exista. Se não podemos acreditar em testemunhas, vídeos, não existimos socialmente, somos bárbaros. Enfim, não concordo”, aponta.
O comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Carlos Alberto David Dos Santos, também foi um dos que se posicionou contra a decisão do STJ, mas revela condescendência com o ponto de vista legal do problema.
“Apesar de atender a norma constitucional, a decisão foi contrária ao pensamento da sociedade brasileira e dificulta ainda mais a fiscalização”, aponta.
É direito constitucional
Por outro lado, a melhor explicação do ponto de vista legal que ampara a decisão dos Supremo veio de quem se posicionou a favor da decisão do STJ. o leitor Igor Ferreira resume bem a questão. Para ele, o problema está na lei em si: “Acreditem: O Superior Tribunal de Justiça não está a fim de impunidade e mortes no trânsito. A decisão tomada pelo STJ visa assegurar o direito constitucional individual de que nenhum de nós será condenado sem lei expressa que o preveja. Até aí, estamos todos de acordo, tenho certeza”, explica. Para ele, o problema está no texto da Lei Seca. “O tipo penal prevê como crime ter mais de seis decilitros/litro de
álcool no sangue. Como uma testemunha ou um vídeo poderá dizer quanto de álcool há no sangue de alguém? De nenhuma forma. É isso que o STJ disse”, diz.
Cáudio Manoel Carvalho Costa também vê na lei o precedente para a impunidade. “O estado de direito deve ser preservado, os tribunais de instancia superior são e devem ser técnicos. Temos sim é que criar leis modernas que permitam a comprovação da embriagues de forma indiscutível, assim como o endurecimento da penalização”, conclui.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 19 / 38
Ecologia
Novo gás para a motosserra ruralista
Enquanto o governo adia mais uma vez o Código Florestal, a floresta vai encolhendo
Greenpeace
Pela quarta vez em menos de quatro anos o Governo Federal adiou a entrada em vigor do decreto de crimes ambientais. A nova prorrogação tem validade de dois meses e, assim como em dezembro do ano passado, o motivo é o Código Florestal. O impasse político prejudica a luta pela manutenção das florestas no país.
Feito em julho de 2008, o decreto é um instrumento para por em prática a legislação ambiental do país e punir aqueles que se negam a cumpri-la. “Porém, se depender das negociações entre governo e ruralistas para o desmonte do Código Florestal, o decreto, quando em vigor, pode não ter mais a quem punir”, diz Paulo Adário, Diretor da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
No Congresso, Deputados alardeiam que já há um acordo para votar o novo Código nos dias 24 e 25 deste mês. Do outro lado, o Governo declara que a proposta final do texto a ser votado – cujo relator é o Deputado ruralista Paulo Piau (PMDB-MG) – ainda não está pronta.
Desmatamento flagrante
Pelo fim do desmatamento
Desmatamento flagrante
Enquanto tudo isso acontece nos corredores de Brasília, na Floresta Amazônica o que se ouve é o som incessante das motosserras. Segundo dados do INPE, o desmatamento quase triplicou de janeiro a março de 2012. A cobertura florestal perdeu 389 km², número 188% maior se comparado ao mesmo período de 2011. Deste total, a maior parte foi detectada no estado do Mato Grosso, um dos maiores desmatadores do país.
No início do mês, o Greenpeace denunciou uma madeireira operando sem autorização dentro do assentamento Corta-Corda, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a 140 km da cidade de Santarém (PA). Pátios de madeira, toras cortadas, desmatamento recente e uma serraria foram registrados em documento enviado ao governo.
“No meio da floresta, a falta de fiscalização e a destruição acontecem à luz do dia. E o novo Código irá promover ainda mais desmatamento. A Presidente Dilma precisa cumprir suas promessas de campanha e realizar o veto total ao texto que chegará às suas mãos”, afirmou Adário.
A própria Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconheceu, em coletiva realizada nesta semana, que o perdão a crimes ambientais e as mudanças propostas no Código foram motivos que levaram ao aumento da devastação. Ela afirmou que existe quem diga que “você pode desmatar que vai ser anistiado”.
Pelo fim do desmatamento
Em resposta ao desmonte da legislação florestal e à falta de governança, o Greenpeace lançou, em março deste ano, um projeto de lei de iniciativa popular que propõe acabar com o desmatamento nas florestas brasileiras. O projeto faz parte da Campanha pelo Desmatamento Zero e, para ir à votação no Congresso Nacional, precisa arrecadar 1,4 milhão de assinaturas de eleitores. O lançamento do projeto foi feito a bordo do navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, no início de sua excursão pelo Brasil.
“Em Brasília eles estão fazendo uma lei para beneficiar o desmatamento. Resolvemos então fazer uma para proteger as florestas. A campanha pelo Desmatamento Zero é uma resposta à falta de governança e à desastrosa proposta do novo Código. Nós brasileiros precisamos reagir, antes que façam de nossas florestas apenas uma vaga lembrança”, concluiu Adário.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 20 / 38
Comportamento
São tantas emoções
'Personalidade forte' não é desculpa para pavio curto
Juliana Vines – Folhapress
Especial para Semana Online
No instante de fúria, tudo parece conspirar para que você pule no pescoço de alguém: o coração dispara, as pupilas se dilatam, os músculos recebem mais sangue e se preparam para o ataque. Seria um combate feroz se não fosse seu próprio cérebro, que, sem você contar até dez, se lembra das prováveis consequências do embate - embora muitas vezes nos deparemos com situações inimagináveis onde até as ações mais simples provocam reações simplesmente memoráveis.
É fácil concluir que não existe vida social sem autocontrole. A ciência provou e já deu até o endereço de onde fica a regulação das emoções no cérebro. A boa notícia é que as últimas descobertas dão esperanças aos mais impulsivos: com treino, paciência e conhecimento de técnicas simples dá para melhorar consideravelmente o controle emocional e evitar aquele "dia de fúria".
A pesquisa
Atenção Plena
Barriga pra fora
A pesquisa
Elisa Harumi Kozasa, neurocientista do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, é uma das autoras de um estudo recém-publicado na revista internacional "NeuroImage". A pesquisa comparou o desempenho de pessoas que meditam com o de quem não medita em uma atividade que exige controle de impulsos. Saiu-se melhor quem meditava.
"O treinamento em meditação modifica as áreas cerebrais. O córtex fica mais espesso em partes relacionadas à atenção, à tomada de decisões e ao controle de impulsos", explica. Além de meditação, os treinamentos para autocontrole envolvem terapia comportamental e técnicas de reconhecimento facial de emoções. A ideia não é aprender a engolir sapos ou a forjar um pensamento positivo. "Suprimir a raiva ou o estresse é 'autoilusão', não autocontrole. É preciso entender o que causa o impulso, não rejeitá-lo", diz José Roberto Leite, psicólogo e pesquisador da Unifesp.
Emoções são respostas do organismo a estímulos internos ou externos. O que determina o tamanho do pavio da pessoa ou o quanto ela é ansiosa não é só "gênio". Há um papel da genética, mas a influência do ambiente e do comportamento são grandes. Quem vive em ambientes com pessoas ansiosas tem mais tendência a ser ansioso", explica Kozasa.
Sentir raiva ou nojo, duas emoções universais, é involuntário e fisiológico: todos sentem. Mas o que será feito com esse impulso pode ser uma escolha, de acordo com a monja Coen, primaz da Comunidade Zen Budista. "Podemos controlar o que fazemos com as nossas emoções. Para isso, é preciso saber reconhecê-las e nomeá-las." É aí que entra a meditação.
Atenção Plena
"É como arrumar a casa", define Stephen Little, instrutor de práticas de redução de estresse e de autocuidado do Hospital Israelita Albert Einstein. "Meditar ajuda a criar caminhos neurológicos mais claros. É como abrir uma brecha entre a emoção e o instante da decisão”.
Como o foco da atenção é redirecionado --por exemplo, para a respiração--, a técnica treina a concentração, fundamental para manter o controle. "As distrações contribuem para que sejamos levados pelas emoções, no estilo 'deixa a vida me levar'", afirma Little. Em um mundo de distrações, concentrar-se não é nada fácil. Quem nunca meditou pode achar a prática difícil pelo simples fato de precisar ficar quieto, sem estímulos externos. O jeito mais simples de conseguir isso é prestando atenção à respiração. Mas há outras formas, como repetir mentalmente uma palavra ou expressão ou deixar o pensamento fluir.
O único porém é que os efeitos não são imediatos. Os melhores resultados aparecem em estudos com pessoas que praticam a técnica há mais de dez anos. "Mas dá para ter uma boa diferença em oito semanas", incentiva Kozasa. Ela se refere a um programa de 45 minutos por dia, com acompanhamento.
A curto prazo, na hora que der vontade de rodar a baiana, o velho truque de controlar a respiração ajuda de verdade. A psicóloga Ana Maria Rossi, autora do livro Autocontrole, afirma que, quando alguém tenta se controlar, o principal erro é o de se concentrar exatamente no sentimento que quer inibir. "Pensamos: 'Não vou ficar nervosa'. Isso só atrapalha. O cérebro não entende a negativa. É preciso mudar o foco”. Ela recomenda a técnica da visualização: "Quem tem medo de falar em público pode se imaginar em uma situação de completo domínio”.
Para José Roberto Leite, não basta só pensar no controle emocional. "Controlar as emoções é apenas um dos aspectos. Se eu não tenho ataques de raiva ou de ansiedade, mas como desesperadamente, não adianta nada. Há vários tipos de controle." Segundo ele, é comum a pessoa priorizar uma das áreas --a profissional, por exemplo-- em detrimento das outras. "Há várias esferas: a física, a psicológica, a profissional. É preciso encarar a vida como uma empresa que tem que ser gerenciada em vários aspectos, senão vai à falência”.
Barriga pra fora
Respirar inflando a barriga, como os bebês fazem, aumenta a oxigenação do organismo, desacelerando os batimentos cardíacos. É a chamada respiração abdominal profunda. Sob estresse, é comum inspirar superficialmente, expandindo o tórax, o que piora ainda mais os sintomas.
Infográfico - São tantas emoções
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 21 / 38
Viver Bem
Em nova aula de ioga, exercícios são feitos no ar
Moda nos Estados Unidos, a ioga antigravidade garante diversão e facilidade da prática
Iara Biderman - Folhapress
Especial para Semana Online
Fazer ioga deitado na rede, que tal? Enquanto você respira profundamente, estica e torce o corpo ou fica de ponta-cabeça, um tecido elástico preso ao teto sustenta seu corpo, o faz balançar, voar.
A ioga antigravidade virou moda nas academias norte-americanas, especialmente em suas versões mais amigáveis ao público que não tem um longo treinamento nas práticas. Um dos motivos da popularidade é a diversão. Quase todo mundo gosta de se sentir flutuando ou de se achar um artista do Cirque du Soleil em pleno voo acrobático. O outro é que a tal da rede (parece um lençol pendurado pelas duas pontas) facilita a execução e a manutenção das posições.
O tecido é útil não só na hora de se agarrar nele em busca de equilíbrio mas também como apoio para o peso do corpo. O alívio na força da gravidade (que explica o nome da técnica) permite movimentos mais amplos e manobras mais complicadas, como ficar de cabeça para baixo. "Uma vantagem dessa prática é aumentar o tempo em que a pessoa permanece nas posturas invertidas", diz Beatriz Kimura, professora de "flying yoga'' na academia Cia. Athletica, em São Paulo.
Beatriz, que se formou no método Iyengar na Índia, conheceu a técnica antigravidade nos Estados Unidos. Segundo ela, as aulas das academias americanas incluem também elementos de pilates, acrobacia e dança.
Continue lendo
Barato
Em nova aula de ioga, exercícios são feitos no ar
Mas a ideia central, segundo a professora, tem muito a ver com o método criado pelo mestre indiano B. K. S. Iyengar, que faz uso de acessórios, como faixas que prendem e sustentam o corpo, para a pessoa poder atingir a postura desejada. Anna Ivanov, coordenadora do Centro de Estudos de Yoga Narayana, em São Paulo, diz que a ioga aérea é basicamente uma adaptação das técnicas de circo para os ásanas (posturas) da ioga. "Os ásanas são milenares, mas a técnica é moderna”.
Anna não é contra a modernização, mas recomenda que o aluno tenha antes algumas aulas no solo para entender melhor de que se trata e fazer as posturas certas. Em algumas posições, o tecido, em vez de facilitar, força mais as extensões. Por isso, em posturas como as que acentuam a curvatura da coluna lombar, é preciso tomar bastante cuidado para não se machucar.
Barato
Um dos grandes baratos da aula voadora é quando você se convence de que está bem seguro pelo tecido e se joga na postura invertida. Como se fica mais tempo pendurado do que seria possível para um iniciante, há gente que atinge algo como um estado de consciência alterado já na primeira aula. "Dá barato mesmo", diz a professora de ioga Marcia Gorenzvaig, que não é especializada na técnica, mas já participou de algumas aulas. Gostou. "Senti que [a aula] ajudou a desobstruir
muito mais rápido as vias aéreas, o que para mim é um alívio. E é uma aula muito relaxante", diz ela.
Uma das vantagens de haver uma larga faixa de tecido sustentando a pessoa é que não há pressão de todo o peso do corpo sobre o pescoço. Assim, é mais fácil alongar e relaxar essa musculatura. Tudo isso ajuda, mas não quer dizer que a aula não seja puxada.
A publicitária Célia Marques, 30, surpreendeu-se com o suadouro e a força que teve de fazer durante sua primeira aula de "flying yoga". "Eu faço muita musculação e pensei na ioga como uma coisa mais leve. Mas vi que é também um treino de força e foi puxado porque trabalha os músculos de uma forma diferente”. Para o administrador de empresas Daniel Ávila, 30, esse tipo de aula substitui a malhação tradicional feita com pesos e aparelhos. "Nunca entrei em uma sala de musculação", diz ele, que mantém a forma com aulas de ioga e de circo.
Como na ioga de solo, músculos peitorais, braços, abdome e glúteos são muito solicitados. Relaxar mesmo, só no final da aula, que sempre acaba com um
balancinho na rede de tecido elástico.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 22 / 38
Saúde
Chá de sumiço
Vigilância Sanitária cancelou registro da Funchicórea: eficácia não comprovada
Julliane Silveira – Folhapress
Especial para Semana Online
F amílias acostumadas a usar o Funchicórea, um dos mais populares remédios para bebês com cólica do país, estão se mobilizando para driblar o desaparecimento do produto das farmácias. É que o registro, usado no Brasil há 72 anos, foi cancelado pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa).
O processo para cancelamento do registro está em andamento desde 2005, mas o Laboratório Melpoejo, fabricante do produto, conseguiu manter a autorização de produção e venda. A decisão final foi publicada em 6 de fevereiro no Diário Oficial da União.
A Anvisa alega que o Melpoejo não apresentou comprovação de segurança e eficácia do produto para os fins relatados no rótulo (combate a prisão de ventre e cólicas de bebês durante os primeiros meses de vida). Além disso, uma resolução da agência de 2004 determina que medicamentos fitoterápicos que contenham partes da planta deveriam trocar sua matéria-prima por outros derivados - como o extrato da planta, por exemplo.
A fórmula do medicamento inclui folhas de chicória, raiz de ruibarbo e flores de funcho (erva-doce), além de sacarina, responsável por conferir o sabor doce ao remédio. Era comercializado na forma de pó para ser misturado na água ou no qual se mergulhava a chupeta.
Querido das Vovós
Outro lado
Querido das Vovós
"Não existe trabalho científico que comprove a eficácia, mas as vovós amam o produto", diz Izaura Ramos Assumpção, gastroenterologista pediátrica do Hospital Infantil Sabará. "Acredito que funcione por placebo: tranquiliza a família, que tem a sensação de estar fazendo algo para o bebê, e a substância doce acalma a criança e tira o foco de atenção da dor", acrescenta.
Nos principais grupos de discussão sobre maternidade na internet, pais compartilham informações sobre onde ainda é possível encontrar o produto e alternativas a ele. "Consegui comprar em uma farmácia virtual de Brasília, que logo teve o estoque esgotado. Comprei quatro potes e dei um para a minha prima. O Funchicórea ajuda bem meus bebês, mas acredito que mais para acalmar do que para aliviar mesmo as cólicas", conta a publicitária Marina Whitaker, 31, mãe de gêmeos de três meses, de São Paulo.
Uma representante comercial do Melpoejo no Paraná criou um perfil no Facebook para estimular as mães a pressionarem a Anvisa. Na página, há informações
sobre o produto, sobre como escrever à agência solicitando a volta do registro e onde ainda é possível encontrar o remédio. "Nesses dois meses, mais de cem mães já me procuraram para obter o remédio", diz Teka Lopes, responsável pelo perfil. A reportagem também apurou que foram enviadas amostras a mães "desesperadas", mas a representante nega.
A cólica do primeiro trimestre de vida é causada pela imaturidade do sistema digestivo do bebê - movimentos bruscos do intestino podem causar dor. O organismo também tem dificuldade para digerir a lactose (açúcar do leite), e as moléculas que chegam inteiras ao intestino grosso favorecem o aparecimento de gases. "Os pais precisam saber que as cólicas são uma manifestação normal e esperada e que não existe trabalho científico sobre nenhum remédio contra esse problema. É preciso ter paciência em primeiro, segundo e terceiro lugar, porque isso passa", diz Eliane Garcez, do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Outro lado
Diretores do Laboratório Melpoejo dizem não concordar com a resolução de 2004 da Anvisa e que, por isso, entraram com as liminares para manter o produto à venda. De acordo com a empresa, não existe nenhum relato de problema causado pelo uso do fitoterápico.
"Pedimos a pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) que analisassem a troca da matéria-prima da planta para derivados. Os estudos mostraram que o extrato é ineficaz", diz Henrique Thielmann, diretor-executivo da empresa. "Nossos
pleitos, questionamentos e recursos na Anvisa, bem como os jurídicos, continuam. Mas achamos por bem suspender a fabricação e distribuição do Funchicórea desde setembro de 2011, até que possamos ter o registro renovado. As pesquisas prosseguem", diz.
Segundo o pesquisador Isac Almeida de Medeiros, farmacêutico e responsável pelos estudos com o Funchicórea na universidade, estão sendo feitos protocolos experimentais em animais. Ainda não há nenhum resultado preliminar.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 23 / 38
Economia
Usinas vão perder R$ 5 bi com seca em canaviais
Estimativa de colheita cai de 550 milhões para 509 milhões de toneladas
Tatiana Freitas – Folhapress
Especial para Semana Online
Aseca voltou a castigar as lavouras de cana neste início de ano e deve provocar uma perda de receita de R$ 5 bilhões para as usinas na safra 2012/13. A estimativa é de Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Segundo ele, o centro-sul, responsável por 90% da produção nacional, tinha potencial para colher 550 milhões de toneladas. "Mas a nossa estimativa foi caindo aos poucos com o veranico de fevereiro e março, até chegar aos 509 milhões de toneladas atuais", disse.
O prejuízo se dará por causa dos 41 milhões de toneladas de cana que foram "perdidos" por conta da seca. A primeira estimativa oficial da Unica para a safra aponta uma produção 3% maior do que a verificada na safra anterior, de 493 milhões de toneladas.
Continue lendo
Mais etanol
Justiça exige estudo antes da queima
Brasil perde mercado para Índia
Infográfico
Usinas vão perder R$ 5 bi com a seca em canaviais
A expansão deve-se exclusivamente à maior área disponível para colheita, que também aumentou 3% graças às participações de Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais -não há nova área em São Paulo, o maior produtor. As usinas investiram na renovação dos canaviais, mas o crescimento de 38% no plantio ainda não será revertido em maior produtividade.
O rendimento deve permanecer ao redor de 68,7 toneladas de cana por hectare. O plantio da cana de corte em 18 meses, mais produtiva, foi prejudicado pelos problemas climáticos, pois ocorre entre janeiro e abril. Mesmo assim, os canaviais voltaram ao índice histórico de renovação de 20%, ante os 12% da safra passada.
Mais etanol
Com maior quantidade de açúcar por tonelada, também ocasionada pela concentração da moagem em menor período de tempo, as usinas devem aumentar a produção de açúcar em 5,7%, para 33,1 milhões de toneladas. "Muitas usinas que só produziam álcool passarão a fazer também açúcar para sobreviver, pois o preço do álcool não paga os custos", diz Padua.
Os consumidores também devem contar com mais etanol, que deve ter uma produção 4,6% maior nesta safra. O álcool hidratado deve apresentar o maior
crescimento, de 11%, e atingir 14,5 bilhões de litros. Já a produção de álcool anidro deve cair 6,9%, para 6,9 bilhões.
As estimativas refletem a redução do percentual de mistura de etanol anidro na gasolina para 20%, ante os 25% vigentes até outubro. Como a frota de veículos flex deve crescer 7%, menos que a oferta, Padua espera que mais carros possam ser abastecidos com álcool. Hoje, a produção atende só a 35% da frota flex.
Justiça exige estudo antes da queima da cana
Uma liminar da Justiça Federal obriga a Cetesb a exigir dos produtores estudo de impacto ambiental antes de autorizar a queima de cana na região de Marília (interior paulista).
A liminar vale para todas as autorizações emitidas desde 16 de março e foi concedida após ação civil do Ministério Público Federal. A Justiça estabeleceu multa
de R$ 10 mil por licença emitida em desacordo com a liminar.
O Ministério Público Federal também pediu o cancelamento de todas as autorizações de queima controlada da palha da cana na região de Piracicaba - ainda não há decisão. A Cetesb afirmou que não iria se pronunciar porque ainda não foi oficialmente notificada.
Brasil perde mercado para Índia
A Índia produziu 23,2 milhões de toneladas de açúcar entre outubro do ano passado e março deste ano, aumento de 13,4% ante o mesmo período da safra anterior, quando foram produzidos 20,45 milhões de toneladas. Até o fim de março, 385 usinas de um total de 476 ainda operavam, ante 329 unidades de um ano atrás, o que sugere que a produção pode superar os 26 milhões de toneladas nesta safra.
No Estado indiano de Maharashtra, a produção de açúcar alcançou 8,01 milhões de toneladas, com crescimento de 11,1%, enquanto no Estado de Uttar Pradesh foram produzidos 6,63 milhões de toneladas de açúcar, ante 5,88 milhões em igual período da safra anterior. As usinas de outro Estado, Karnataka, também produziram mais: foram 3,5 milhões de toneladas, aumento de 16,7%.
Considerando que a demanda interna atinja 22,8 milhões de toneladas nesta temporada, a indústria local se diz apta a receber cotas adicionais de exportação, acima dos 3 milhões de toneladas já autorizadas até agora. Há grande pressão para que o governo indiano libere a quarta cota de exportação, antes que o mundo volte a ser abastecido com mais intensidade pelo açúcar produzido no Brasil, a partir de maio.
Devido à maior abertura do mercado indiano para exportação, há sinais de que o plantio de cana continuará firme no país, dando a entender que a Índia poderá ser capaz de exportar açúcar pelo terceiro ano consecutivo, a partir de outubro próximo. Enquanto isso, o Brasil exportou 994 mil toneladas de açúcar em março, 25,8% menos que em fevereiro e uma queda de 29,5% ante o mesmo mês do ano passado. Essa é a primeira vez que o Brasil exporta menos de 1 milhão de toneladas em um mês, desde abril de 2008.
Do volume exportado em março no Brasil, 625,3 mil toneladas foram de açúcar a granel e 369,9 mil toneladas de açúcar em sacos. Assim, em relação a fevereiro, houve redução de 39% nos embarques de açúcar bruto e aumento de 0,8% no ensacado. Na soma de janeiro a março, as exportações de açúcar totalizaram 3,57 milhões de toneladas -ou 10,3% menos do volume exportado no primeiro trimestre de 2011.
Com essa performance, o Brasil, responsável por 51% das exportações mundiais de açúcar na safra 2010/11, deve encerrar a atual temporada 2011/12 com uma participação de mercado de 44,7%. Diante desses números, não há como negar que o açúcar brasileiro perde participação no mercado internacional para outros países.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 24 / 38
Mundo CorporativoDijan de Barros
Como lidar com pessoas pessimistas no trabalho
Se lidar com pessoas difíceis no ambiente de trabalho já complica a convivência diária, ter que escutar aquele colega ou chefe que prefere sempre ressaltar o lado ruim das situações não é uma tarefa fácil. O primeiro passo, de acordo com Telma Sassaroli, psicóloga, especialista em gestão de pessoas e diretora de serviços da SimGroup, é tentar mostrar o lado do “copo cheio” da situação.
Continue lendo
Recomendações
Como lidar com pessoas pessimistas no trabalho
Para Romaly de Carvalho, professora de etiqueta empresarial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é importante diferenciar aquele profissional que fica mal-humorado e, consequentemente, só consegue enxergar o lado negativo das situações decorrente de um problema no trabalho ou familiar. “Se a situação é pontual, a abordagem mais adequada é chegar de forma positiva e perguntar se está tudo bem”, explica.
Para as especialistas, o profissional constantemente pessimista acaba bloqueando oportunidades de crescer na carreira. Além desse tipo de comportamento não ser bem visto, a tendência é que vire um ciclo vicioso, em que os colegas de trabalho tendem a se afastar da pessoa.
Recomendações
Evite ficar sozinho com a pessoa
Se o pessimismo daquele colega de trabalho não o faz bem, Romaly afirma que o ideal é evitar ficar sozinho com ele. “Na companhia de uma terceira pessoa é mais fácil dirigir-se para outros assuntos agradáveis e neutralizar a conversa”, explica.
Neutralize as conversas
“Quando o colega começar a falar uma coisa negativa, seja monossilábico e, na hora que ele falar sobre algo positivo, seja enfático e estimule a pessoa continuar o assunto”, explica Romaly.
Mostre-se bem-humorado
“Você combate o pessimismo com bom humor, não entre nesse mapa de negativismo, pois pode interferir no seu comportamento”, afirma Telma.
Peça ajuda
Para Telma, quando a situação é extremamente desagradável e há um desgaste de relacionamento entre a pessoa e a equipe, cabe ao superior ou até mesmo RH entrar em ação. É essencial que a pessoa perceba que aquele comportamento não é saudável e peça ajuda para terceiros.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 25 / 38
Show Gusttavo Lima
Laser
A depilação a laser é uma das grandes revoluções estéticas, pois ajuda as pessoas a se livrarem dos indesejáveis pelos de forma eficiente e duradoura.
Formandos
Alguns momentos da vida são
considerados inesquecíveis, ainda mais quando conquistados com dedicação, carinho e trabalho. E a DZM faz a diferença em momentos assim. José Roberto - DZM Eventos
Pilates
O Pilates é um método de condicionamento físico e mental que trabalha o corpo todo, fortalecendo,
flexibilizando e alongando-o. Neide Garrido - The Pilates
Studio Brasil
News
Descobrir talentos. Este sempre foi o negócio da AMODEL, que reinaugurou em um novo espaço,
planejado para oferecer castings completos com modelos e atores. Lucimar Duarte e Anderson Alvves
Laser
A depilação a laser é uma das grandes revoluções estéticas, pois ajuda as pessoas a se livrarem dos indesejáveis pelos de forma eficiente e duradoura. Além de ser seguro e trazer ótimos resultados, este método pode ser usado em praticamente todo o corpo. Dra. Kátia Volpe Fogolin | médica CRM 3198
Formandos
Alguns momentos da vida são considerados inesquecíveis, ainda mais quando conquistados com dedicação, carinho e trabalho. E a DZM faz a diferença em momentos assim. A empresa é responsável por assessorar, organizar e executar formaturas, oferecendo soluções inovadoras e personalizadas. Transformando sonhos em
realidade. Em Dourados na Rua João Rosa Góes, 971, sala 01 | (67) 3421-8736. Em Campo Grande na Rua Piratininga, 1.340 | (67) 3305.4073 | www.dzm.com.br | José Roberto - DZM Eventos
News
Descobrir talentos. Este sempre foi o negócio da AMODEL, que reinaugurou em um novo espaço, planejado para oferecer ao mercado de moda e publicitário um casting completo com modelos e atores. Rua Alagoas, 948 | (67) 3305-5809 | www.amodel.com.br | Lucimar Duarte e Anderson Alvves
Pilates
O Pilates é um método de condicionamento físico e mental que trabalha o corpo todo, fortalecendo, flexibilizando e alongando-o. Em Campo Grande é possível praticar o autêntico pilates, desenvolvido por Joseph Pilates, o pai da Contrologia, por meio da franquia The Pilates Studio Brasil. Rua Brasil, 17 | (67) 3382-2132 | www.pilates.com.br | Neide Garrido - The Pilates Studio Brasil
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 26 / 38
Veículos
Kia terá motor bicombustível para equipar o compacto Rio
Eduardo Sodré – Folhapress
Especial para Semana Online
O compacto Kia Rio já passou pelo processo de homologação no Brasil e, portanto, pode ser vendido. Contudo, a Kia teve de rever os planos por motivos como a mudança na regra do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a produção insuficiente para atender ao mercado nacional. E, já que houve atraso, por que não esperar mais um pouco e lançá-lo com motor bicombustível?
Na apresentação do Optima, a reportagem apurou que a empresa sul-coreana está trabalhando em uma versão "flex" do motor 1.4 que equipa o Rio. A marca considera que lançar um produto na faixa de R$ 45 mil sem
oferecer essa tecnologia pode ser um mau negócio no mercado brasileiro. Será preciso fazer nova homologação.
O desenvolvimento caminha paralelamente às negociações para aumentar os lotes de importação. Os bons resultados de vendas dos modelos Soul, Picanto e Sportage, movidos a etanol e gasolina, têm animado os sul-coreanos. O Rio deve chegar em 2013, mas pode fazer uma aparição prévia no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 27 / 38
ConsumidorLamartine Ribeiro
Regras Estaduais
Celular dentro do banco
Quem é punido?
Cópia dos contratos
Prazo de arrependimento
Créditos de celular
O Direito do Consumidor é um ramo do ordenamento jurídico brasileiro cuja competência legislativa é concorrente. Traduzindo: tanto a União quanto os Estados e os Municípios podem criar regras para as relações de consumo. Sendo assim, o Código de Defesa do Consumidor não é a única lei que trata de Direitos do Consumidor. Existem inúmeras leis estaduais e municipais. Em nosso estado a produção é farta.
Celular dentro do banco
É fato que muita informação é repassada entre comparsas de fora para dentro dos Bancos e outros locais, digamos... sensíveis, no Mato Grosso do Sul por uma questão de segurança é proibido usar telefone celular, walkmans, diskmans, Ipods, MP3, MP4, game boy, aparelhos portáteis de TV, agendas eletrônicas e quaisquer outros aparelhos portáteis capazes de produzir sons e ruídos nas agências bancárias e instituições assemelhadas, nos postos de gasolina, cinemas, teatros, sala de aula, bibliotecas, salas de concertos, audiências e conferências.
Quem é punido?
É claro que o Estado de Mato Grosso do Sul não pode punir os indivíduos que adotem as práticas proibidas, pois, isso seria legislação penal a qual é vedada aos Estados criarem, então, sobra para as empresas que não proibirem tal prática em suas sedes, ou seja, um banco, por exemplo tem que pedir a seus cliente que não usem os aparelhos citados, caso contrário, o banco pode ser multado pelo PROCON.
Cópia dos contratos
Segundo uma lei estadual, todas as empresas que atuam em Mato Grosso do Sul são obrigadas a encaminhar aos consumidores contratantes uma versão escrita de contratos firmados verbalmente, por meio de call center ou internet em até 15 dias após a contratação.
Prazo de arrependimento
Considerando que nas compras à distância existe o prazo de 07 dias para a desistência imotivada, em nosso Estado, por força da mesma lei acima citada, tal prazo começa a contar a partir do recebimento do contrato. Como se trata de uma lei que regulamenta relações de consumo, a fiscalização fica por conta do PROCON, que pode aplicar multa no caso específico no teto de R$ 81.300,00.
Créditos de celular
É vedada às empresas operadoras de telefonia celular no Estado de Mato Grosso do Sul a imposição aos usuários de telefones celulares pré-pagos de limite de tempo para a utilização de créditos ativados. Infelizmente pouca gente tem buscado exercer esse direito. Segundo informações do PROCON, os casos que lá chegaram foram resolvidos com certa rapidez pelas empresas de telefonia que estão tentando derrubar a lei nos tribunais superiores mas ainda não obtiveram sucesso.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 28 / 38
Tech Lucas Reino
Esse post não tem dica nenhuma. É que eu fiz aniversário nesse último dia 18 de abril, e nos 30 anos anteriores a ele, e fiquei pensando em como as redes sociais com seus avisos automáticos mudaram os aniversários.
Antes a gente lembrava de cabeça, tinha gente que anotava em agenda e em toda casa tinha alguém que sabia o dia de nascimento de todos os familiares. Hoje é só acessar o Facebook e ver o aniversariante da vez, piorou? Acho que não. A nossa memória a gente pode dedicar para outras coisas, como escrever mensagens carinhosas para as pessoas.
Continue lendo
Design de Jornais
Veja esse vídeo de 6 minutos com JacekUtko, um designer polonês que reformulou alguns jornais na Europa e conseguiu recuperar as vendagens deles, em alguns casos aumentando em mais de 100%. O designer da Semana Online está desobrigado de assistir.
Pesquisa Francesa
Uma pesquisa francesa foi tentar entender melhor as saídas noturnas do povo do Asterix na época de crise. O levantamento descobriu que eles estão saindo menos por dois motivos, falta de dinheiro (bufunfa, grana, money, l’argent), algo que a maioria dos brasileiros já conhece, e por falta de amigos.
Continue lendo
Aniversários nas redes sociais
Aniversários nas redes sociais
A tecnologia nesse caso é muito mais positiva, mesmo com reclamações de que “antes as pessoas visitavam para dar parabéns”. Digo isso por vários motivos, mas um dos mais importantes tem a ver com a logística, com mais de mil amigos no Facebook e menos de 10 cadeiras em casa, seria um inferno receber tanta gente.
Uma coisa que mudou já na internet é que antes a gente recebia aqueles cartões digitais, eram bacanas, mas começaram a ser usados para difundir vírus, será que alguém ainda usa?
Mas o importante nesse caso é que você não precisa ter uma memória de elefante (quantos amigos um elefante tem no Face?) para se lembrar e parabenizar aqueles que você gosta.
Pesquisa Francesa
A pesquisa comenta que apesar de terem em média 150 amigos virtuais, no geral eles saem em duplas, ou não saem, porque não tem amigos. 50% dos franceses solteiros alegaram que não vão para o vucovuco (tradução minha) por falta de companhia.
E você? Tem quantos amigos online? Quantos você poderia chamar para um rendevouz? (tô gastando hein!) Quantos passam por você e fingem que não te conhecem na rua?
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 29 / 38
ModaSimone Faustino
N
esta temporada, a leveza e a feminilidade estão em alta. A novidade que vem por aí é que a renda não está mais sozinha: ganha o reforço do plissado, ou pleated. As já conhecidas dobrinhas no tecido retornaram outra vez às passarelas nas coleções primavera-verão 2012 de grifes como Prada e Dior, prometendo invadir as marcas, da alta costura ao fast fashion. Elas estão presentes, principalmente, em saias, vestidos e camisas, mas acabam dando o ar da graça em calças, shorts e até na lingerie.
Continue lendo
Coca-Cola e Jean-Paul Gaultier
O estilista francês Jean-Paul Gaultier acaba de lançar embalagens com sua assinatura para a Coca-Cola Diet. As garrafas trazem ícones de seu estilo, como listras navy e o corset com sutiã- cone imortalizado por Madonna na turnê “Blond Ambition”. Aliás, dizem que a cantora deve confiar ao mesmo criador os figurinos de sua nova turnê “MDNA”, que, no Brasil, passará por Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Tempo de delicadeza
À francesa
Quem curte moda e anda em busca de leituras na área não pode deixar de ler o livro “A Parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressange”, de Sophie Gachet. Ines, ex-modelo francesa, compartilha com os leitores décadas de conhecimento e vivência no mundo da moda e detalha com propriedade a maneira de vestir das filhas da cidade-luz.
Tempo de delicadeza
Uma dica para usar essa tendência fluida, que funciona bem tanto em looks de inverno ou mais fresquinhos, é combiná-la com peças contrastantes, de cores fortes e texturas diferenciadas. Assim, o equilíbrio ocorre devido ao mix entre o lado girlie do plissado e a personalidade da outra peça.
Muitas famosas já recorreram à fluidez e ao glamour do plissado. Quem não se lembra da diva Marilyn Monroe e seu vestido branco no filme “O Pecado Mora ao Lado”? Outros exemplos são celebridades como
Sarah Jessica Parker (em “Sex and the City 2”) e Blake Lively (de “Gossip Girl”, que vêm desfilando nos tapetes vermelhos looks que incluem a tendência.
Origem – O tecido plissado remonta ao final do século XIX, quando a Revolução Industrial ocasionou um boom de novas técnicas de corte e alfaiataria. As pregas feitas à máquina eram símbolo de modernidade e tiveram seu auge na década de 1920. Retornaram nos anos 50 e 70, sendo ainda hoje sinônimo de elegância e romantismo.
Serviço
Título: A Parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressange
Autora: Sophie Gachet
Editora: Intrínseca
Preço médio: R$ 49,90
Páginas: 240
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 30 / 38
True ColorsGuilherme Cavalcante
Quando conheci Caio Fernando Abreu
Era uma confraternização de fim de ano, pelos idos de 2007, acho. Em meio a reunião, as conversas comuns de gente que dia se amava e que dia queria mandar o chefe pra Cabul sem passagem de volta. Comida, tequila, risadas, fofocas sobre o estilo de vida do colunista fulano de tal e, obviamente, a brisa maravilhosa de Fortaleza. Essa é a história que antecede o dia em que conheci Caio Fernando Abreu.
Sim, confesso, foi o primeiro contato com o escritor, atualmente rei do Twitter e do Facebook com frases dispersas e soltas sem o menor sentido, mas que as pessoas adoram compartilhar. Quem me deu o livro chegou para mim, sorriu-me, abraçou-me e escreveu na contracapa: “Porque todos nós precisamos de Caio”. Assinou. Era Emerson Maranhão, meu editor no jornal O Povo, na época. Recebendo o mimo, estava eu, com meus 20 anos, no início da carreira.
Demorei alguns dias para ler. Quando finalmente encontrei-me disposto, armei uma rede na varanda da casa da minha mãe e abri o livro.
As primeiras páginas pareceram-me inócuas, talvez pela minha dispersão, até que alcanço a seção
Continue lendo
Mais uma do Bolsonaro
Lágrimas de sangue
Igreja Vs. Diversidade
Mais uma de Bolsonaro
Mais uma do Bolsonaro Gente, esse cara é doente! O deputado federal Jair Bolsonaro (ele, de novo) afirmou na última semana que irá propor um projeto de lei que permita que as pessoas que necessitem de transfusão possam optar por receber sangue de um doador heterossexual. Bolsonaro tenta justificar esse absurdo por meio de estatísticas (que não foram apresentadas), porque, segundo ele, gays correm 17 vezes mais risco de ter o vírus HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis que heterossexuais.
Sabemos que atualmente a história é diferente. Por mais que ainda haja uma série de restrições para coleta de sangue de homossexuais, o cerne da questão não mais se baseia nos antigos “grupos de risco”, mas em “comportamentos de risco” - que podem ser adotados por qualquer ser humano, inclusive o santo papa Bento XVI caso ele transe sem camisinha (como prega o catolicismo, a propósito).
A matéria ainda não foi apresentada na Câmara dos Deputados, mas
sinceramente, espero que isso não passe nem pela porta do estacionamento
do Congresso.
Lágrimas de sangue
Quem gastou horrores em terapia para se recuperar do trauma que foi conseguir um ingresso para conferir no Brasil a passagem da turnê mundial da diva pop Madonna em 2008 certamente chorou lágrimas de sangue nos últimos dias. A empresa Time 4 Fun, que comercializa as entradas, mais uma vez tirou muita gente do sério quando abriu a pré-venda para os espetáculos, marcados para início de dezembro em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.
A polêmica começou com o anúncio dos preços dos ingressos. R$ 850 o mais caro, que em tese dá para ver a ruga preenchida por Botox da Madge, além da taxa de conveniência (ãhn?) de 20% sobre o valor do ingresso e, obviamente, da taxa de entrega para quem comprar por call center e pela Internet (tipo, todo mundo). Depois, já durante a pré-venda exclusiva para membros do fã-clube, a empresa não disponibilizou ingressos de meia entrada, conforme obriga legislação municipal de São Paulo, a cidade cujos shows da Madonna costumam ser mais disputados.
O caso virou barraco e foi parar no Procon-SP, que obrigou a Time 4 Fun a suspender a
venda dos ingressos. Já a empresa disse que irá impugnar (oi?) a
decisão do órgão de defesa do consumidor por meio dos mecanismos legais.
E a gente? Bem, a gente fica aqui, no camarote, conferindo o resultado
dessa novela e desse desrespeito com os fãs que só querem se divertir
com a rainha. Sou #teamProcon, e vocês?
Igreja Vs. Diversidade
O cartaz maravilhoso que vocês veem aqui ao lado divulga a Parada Gay de Maringá, que acontecerá no próximo dia 20 de maio. Mas a Igreja Católica sentiu-se ofendida com a arte, pois o cartaz usa uma imagem da Basílica Nossa Senhora da Glória (símbolo da cidade) refletindo a explosão de um facho de luz com as cores do arco-íris, como se uma a luz se decompusesse nas cores da diversidade.
A Igreja, obviamente, quer a retirada do cartaz de todos os meios de divulgação, sejam paredes, sejam redes sociais. Ocorre que o cartaz é extra-oficial, e foi produzido pela artista plástica Elisa Riemer, obviamente inspirado na capa do álbum "The Dark Side of the Moon", d Pink Floyd. Além disso, a organização do evento aponta que podem existir diversas leituras para o cartaz e que o lamentável está em a comunidade católica ter optado pela pior delas.
A cereja do bolo está neste tópico, no portal Maringay, onde os próprios organizadores do evento fizeram análise crítica da repercussão. Impressionante, diria.
Quando conheci Caio Fernando Abreu
de cartas, que na verdade descreviam a realidade violenta de um escritor, dramaturgo e jornalista gay convivendo com o rápido sucesso literário e, posteriormente, com o diagnóstico positivo para o HIV. A cada página, fui vendo que apesar da angústia de uma doença fatal para a época, Caio buscou viver cada dia da melhor forma, mesmo com o medo assombroso da solidão.
Via, também, que talvez o presente que recebi do meu editor fosse algo que iria além da relação entre mestre e aprendiz no campo profissional, mas também no campo pessoal – aquela história de irmandade. Na dedicatória do livro, havia um alerta oculto de que Caio deveria me ensinar algo. Eu precisava dele, só não sabia bem para que. Permito-me até divagar: o “nós”, da dedicatória no livro de Caio, poderia se referir a dezenas de coisas que tenho em comum com meu ex-editor. Seria a nós como pessoas, como jornalistas, como homossexuais ou como isso tudo junto?
Bem, devorei o livro e o reli pelo menos outras duas vezes, além de conferir outros títulos do autor, como o excelente Morangos Mofados. Mas, recentemente, numa mudança de endereço aqui em Campo Grande, ao encaixotar os livros reencontrei o Caio. Folheando-o, deparei-me novamente com “Porque todos nós precisamos de Caio”. Naquele dia, acho, finalmente descobri qual a lição de Caio para mim. Juntei as peças de que foi através da curiosidade sobre a vida dele que acabei me deparando com um cenário imensamente maior, como um diagnóstico do tempo e da convivência social, com detalhes de diferentes épocas e dos habitantes que as transformavam a cada manhã.
Compreender esta relação também me permite um parênteses - uma epifania de que foi graças aos meus editores (incluo, também, Luciano Almeida Filho, meu igualmente estimado amigo) que a "autorrepressão" que inicialmente pratiquei contra minha própria sexualidade foi ao fim após subir as escadarias de O Povo e me deparar com profissionais que evoluíam profissionalmente independente de suas orientações sexuais. Se eles poderiam ser assim, por que não eu? Se eu poderia seguir em frente sendo o que sou, por que calar-me? Por que não dar pinta? Por que não levar o namorado para a festa da firma? Por que me negar a felicidade de uma vida como um livro aberto? Eram meus chefes – e amigos - mostrando-me que meus horizontes poderiam ser mais doce, mais que as perspectivas que eles próprios tinham na minha idade, inclusive.
Para ser sincero, nem sei se isso tudo que falei realmente passou pela cabeça do Maranhão ou se é mania minha de “enxergar demais”. Mas enfim, essa é a minha verdade, é o meu final feliz. E isso daqui meio que deveria ser um e-mail particular. Mas é que não deu... Acho que Caio foi fundamental para entender onde estou e compreender meu espaço como jornalista, como pessoa e como homossexual. Essa conclusão teria sido mais demorada se naquele dia de dezembro, o qual cito no começo do texto, Caio não tivesse entrado na minha vida. Talvez seja esse o porquê que “todos nós precisamos” dele.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 31 / 38
AuAu Miau
Sarna para se coçar
Sarna é uma doença recorrente entre animais de estimação, cujo principal siontoma é a coceira. Os pets que contraem a doença infelizmente padecem meses com os sintomas, até que o dono resolva conferir uma opinião especializada. Isso ocorre porque existe o costume de simplesmente nos deixamos seduzir por dicas milagrosas de amigos e vizinhos. Não que as pessoas estejam necessariamente agindo de má fé, mas é que cada tipo de sarna requer um tratamento diferenciado, e somente um veterinário tem condições de precisar qual o melhor caminho para a cura. E isso, claro, sem falar que nem tudo coça é sarna.
Tipos de Sarna
Transmissão para humanos
Tipos de Sarna
Sarna Sarcóptica
Também conhecida como escabiose canina, a doença é ocasionada pelo parasita Sarcoptes scabiei var. canis, um ácaro que faz túneis na pele, onde deposita seus ovos, causando intenso prurido. Pode causar lesões na pele devido ao ato do animal se coçar muito. O diagnóstico é feito através de raspado de pele associado ao exame clínico.
Sarna Notoédrica
Esta é a escabiose felina, causada pelo Notoedris cati. Este tipo de sarna ocorre bastante em climas úmidos e quentes. Portanto, a maior incidência costuma ser no verão. Os gatos apresentam lesões na cabeça, que muitas vezes são confundidas com lesões por brigas. Também podem aparecer ferimentos na região do rabo e membros posteriores, pelo fato dos gatos dormirem encurvados. É altamente pruriginosa e com muitas crostas.
Sarna Demodécica
Conhecido por sarna negra, sarna vermelha, demodicose ou por demodicicose, esta variação da doença é causada pelo Demodex canis, nos cães, e pelo Demodex gattoi ou Demodex cati, nos gatos. Todos os animais apresentam esse tipo de ácaro na pele, mas nem todos apresentam a doença. Logo, a doença só se desenvolve quando o sistema imunológico apresenta falhas. Pode acontecer de forma localizada, com lesões na cabeça ou membros e ter cura espontânea. Aparece em animais mais jovens, com até 6 meses de idade. Também pode ter aspecto generalizado, tendo surtos juvenil, que geralmente é evolução da forma localizada, e adulto, ligado a uma imunossupressão em cães com mais de 5 anos.
Sarna Otodécica
É a sarna das orelhas, causada pelo Otodectes cynotis. Causa um processo irritativo no ouvido e há o acúmulo de cerume de coloração achocolatada. Também causa otites e eventualmente, otoematomas. O diagnóstico é dado através do exame clínico e a visualização do parasita através do otoscópio, mas também pode ser visto a olho nu.
Transmissão para humanos
Cuidado, apenas a sarna demodécica não é uma zoonose. Todas as outras podem ser transmitidas a nós, humanos, pelos animais. Portanto, é fundamental consultar a opinião especializada de um médico veterinário, que certamente vai saber indicar o melhor tratamento para cada tipo de sarna no seu pet, além de orientar como não transmitir a doença para humanos ou para outros animais.
Pet da Semana
Guilherme é o chefe de reportagem da Semana Online. Dia desses ele estava navegando no Facebook quando viu a divulgação de um cão que foi abandonado amarrado numa árvore e que estava num petshop das imediações da redação. "Quando vi a foto dele pensei que era para ser meu. Corri no petshop para conhecê-lo", conta. Lá, ele se deparou com um cão magro e extremamente assustado, mas muito amável. Não pensou duas vezes e o levou para casa.
Segundo o dono, Oskar já é outro cão. "Ele é ativo, carinhosíssimo, brincalhão, bagunceiro mesmo. É um cachorro do jeito que tem que ser. Quem não gosta de cão 'levado' realmente não deveria ter um", afirma. O único problema, segundo Guilherme, é que Oskar fazia xixi em todo cantinho. "Mas até esse hábito ele já está mudando. Com amor a gente consegue transformar tudo. Além disso, estou tentando educar um cão adulto, sei que é mais difícil e sabia disso quando o adotei. Passeamos duas vezes por dia, pelo menos, para que ele faça as suas necessidades", conclui.
Sapoie, o sapo que pula,
e o poeta Felipe Costa Marques
Quando criança, pensavam que ele era diferente, porque gostava de ficar isolado no quarto, lendo, pensando, imaginando, escrevendo... Gostava também de ir para um terreno deserto próximo a sua casa e ficar desenhando na areia com uma vareta – tinha por volta de uns 9, 10 anos. Chegou a dar um nome a esse lugar, que era limite de favela e bairro chique: Jardim da China. Era época também de se jogar bola e de muitos outros brinquedos.
Continue lendo
Entrevista com o poeta Felipe Costa Marques
Ofilme “Xingu” está em cartaz nos cinemas e Caio Blat, um de seus protagonistas, foi sábado passado no programa TV Xuxa para falar um pouco sobre a produção. Mas parece que a questão indígena fez mais barulho de outra forma. Lá se viu e ouviu melhor a expressão indígena atual quando o grupo Brô MC’s, composto por alguns jovens da reserva indígena de Dourados, entrou no palco e celebrou a mestiçagem cultural num rap bem criativo, com as batidas típicas do gênero misturadas a dulcíssimos toques lembrando flauta, cantando uma letra politizada em guarani e português.
Durante a apresentação, as redes sociais, como sempre fazem, “exigiam” a manifestação de seus usuários quanto ao que estavam assistindo na televisão. Pois bem, uma mocinha resolveu se manifestar acerca desses artistas da etnia Guarani-Kaiwová, digitou algumas frases em que explicitava a sua intolerância e deu no que deu.
O caso foi parar no MPF (Ministério Público Federal), as primeiras informações dão conta de que se tratou de racismo, crime passível de punição. Nada bom para quem talvez estivesse pensando que não passava de uma brincadeirinha de gosto duvidoso; só que não há dúvida, ofensa verbal sendo difundida na rede mundial de computadores jamais será considerada apenas uma
brincadeira.
Brô MC’s tem história, já existe há quase quatro anos e é o primeiro grupo de rap indígena a lançar um cd, que está disponível para download gratuito, tocou na posse da presidenta Dilma, abriu show de Milton Nascimento, teve clip veiculado na MTV, ganhou do MinC (Ministério da Cultura) o prêmio Preto Ghóez, dedicado ao hip-hop, já participou de alguns festivais de rap, tocou em São Paulo, Rio, Minas, enfim, volta e meia o grupo é destacado na mídia por órgãos dedicados ao tema periferia e também pela chamada grande imprensa.
Mas não há como fugir ao fato de que Bruno, Clemerson, Kelvin e Charlie, os Brô MC’s que se dizem fãs de Tupac e Chis Brown, ao misturarem em suas apresentações acessórios e pinturas faciais indígenas ao vestuário hip-hop chamam bastante atenção. As letras das músicas que via de regra misturam guarani a português também chocam: o mesmo cd que mistura canções de protesto (Eju ore ndive e Tupã) contra a vida desafortunada dos índios nas favelas, digo, nas aldeias, tem uma baladinha de queixume romântico (Sempre te amarei) e uma espécie de gospel jesuítico (Sei jovem) apresentando o trecho “Onde há maldade, drogas e violências, violam o mandamento do Senhor Jesus Cristo” e algumas palavras de ordem como “Deus te ama”, “Deus tem planos pra você”, “Tenha fé em Deus”, “Venha pra luz”, “Bíblia na mão”.
O Brô MC’s aos poucos, independente de críticas, seja pela força de sua arte e cultura, ou pela incorporação de elementos de outras artes e de outras culturas, seja por agradar a seus fãs, ou por desagradar aos intolerantes, vai conquistando o seu espaço. A tendência, depois da ampla divulgação do caso de racismo, é de os rappers indígenas conquistarem mais público, se não pela música, ao menos pela defesa das etnias que ocupam uma boa porcentagem do sangue dos brasileiros.
Sapoie, o sapo que pula, e o poeta Felipe Costa Marques
Alguns anos se passaram... Recentemente o agora adulto Felipe Costa Marques fez uma performance na Estação Ferroviária, com um livro-de-madeira-escultura-móbile que foi concebido para criar poemas diferentes quando algumas peças iam sendo mexidas. Fez ainda intervenções misturando seus textos a textos de Lobivar Matos, em forma de barquinhos de papel, ou rasgando trechos de poemas e recriando-os por meio de colagens.
Felipe Costa Marques entende nitidamente porque é hoje em alma e em vísceras poeta. Por isso está lançando o seu mais recente trabalho, “Sapoie”, que reúne uma série de poemas publicados no decorrer de
alguns anos no blog de mesmo nome. Segundo ele mesmo afirma, suas influências são, basicamente, os poetas clássicos em Língua Portuguesa, mas até que reconhece um toquezinho dos concretistas em sua poética. Primando pela concisão e pelo arranjo visual, o
livro tem uma produção bastante cuidadosa e elaborada.
O poeta informa ainda que sua poesia não visa lucro e, portanto, disponibiliza leitura e/ou download gratuito na página de seu blog.
Por que “Sapoie”?
Porque é anagrama. Porque é poesia. É um sapo que pula sem parar etc. Viajante... brincando e linkando textos.
“Sapoie” é um livro diferente, tem uma concepção visual intensa. Como o “Sapoie” deve ser lido?
Toda a concepção visual é minha, mas eu tive a preciosa ajuda do meu camarada Thiago de Barros. Agora você me pergunta como deve ser lido. Deve? Deve, nada. O livro pode ser lido de frente pra trás, de trás pra frente, do meio para as bordas. O leitor é que descobre ou inventa como quer ler. Fiz o haicai copular com o soneto e aí foram aparecendo as coisas em forma de escrita.
O que você acha do absurdo, visto que por vezes você flerta com ele?
Parece piada. Você tá fazendo piada? O inusitado... hmmm... O nome do meu livro tem muito a ver com isso. Uma língua perdida, “Sapoie” era um carpe diem, uma língua em processo de desacabamento, que o prazer não pode acabar.
E o Rosário Congro?
Meu bisavô, já li e considero muito bom. Era também grande advogado. Tinha a alma na família. Um clássico que continua merecendo ser lido.
E o Manoel de Barros?
Não curto Manoel de Barros. Mas não tem como não curti-lo. Ele se repete, se repete, se repete. Eu leio o velhinho e acho ele muito clichê, o tema “desconstrutista”, sei lá. Sou parecido com ele, por isso que talvez eu não goste. Ele se repete, se repete, se repete, porque é bom, porque é bom, porque é bom. No fundo, no fundo, eu até adoro ele. É impossível não amar a poesia de Manoel de Barros, independente de qualquer coisa.
Qual o atual panorama da literatura em MS?
(Solta uma gargalhada). Preciso falar alguma coisa? Eu não sei. Além de não saber, desconheço. Os críticos literários de MS é que devem responder, eu não.
O que falta em MS para a literatura e, mais especificamente, para a poesia?
Assim, eu quero montar uma banquinha piramidal, com livros, o cara coloca uma moeda de um real e retira um livro de poesia. Falta se ler mais, por isso que estou distribuindo meus livros. Faltam perfomances de poesia. Falta mais incentivo cultural, ou seja, grana. Tem gente que ganha dinheiro com literatura e nem sempre é o autor, às vezes só falta acertar alguns detalhes e todos saem ganhando, assim é melhor.
Pode falar um pouco da sua experiência com blog?
Acho legal a troca, o feedback é mais rápido, os leitores leem e logo comentam. Muitos acabam até conhecendo a fundo os nossos textos. A gente ainda tem contato com autores de outros estados; eu, por exemplo, já dei entrevista para um blog de um camarada que conhecia muito bem a minha obra; quer dizer, isso abre caminhos, cria oportunidades diversas e boas.
Você é um literato, mas também gosta de outras expressões artísticas, correto?
É, sim. Estou sempre trabalhando com desenho, pintura e fotografia. E agora comecei a mexer com escultura em madeira, para criar móbiles de poesia.
Gostaria de acrescentar algo?
Deixa eu pensar. Ah, eu leio muito Bandeira, Drummond e Gullar. Eles me alimentam com alpiste antes de eu voar. Você me conhece, cara... Eu sei que pareço um louco, mas qual poeta não é louco?! Para ser poeta, tem que ser louco! É isso.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 34 / 38
Paladar Vera Chaves
Rápidas e Gostosas
Receitas incríveis podem ser feitas em vinte minutos. Por que a pressa? Porque muitas vezes temos pouco tempo para preparar um prato, mas não é por isso que vamos deixar de comer bem. Para os amantes da boa mesa gula não é pecado, pecado é comer mal.
Uma saladinha, uma omelete, uma sopa podem ser pratos incríveis, principalmente quando são feitos a partir do equilíbrio perfeito entre os ingredientes. Quando pensamos em um prato rápido, logo nos vem à cabeça um macarrão, alguns minutos para cozinhar, um molho pronto, ou simplesmente um alho fatiado, ervas frescas com azeite e pronto! Mas não é disso que estou falando, afinal todo mundo tem uma receita rápida com massa. Estou falando de comida rápida, gostosa, feita em casa e com cara de comida de chef.
Então vamos lá: basta selecionar bons ingredientes e transformá-los em pratos surpreendentes à jato. O conjunto de ingredientes selecionados faz de uma receita simples um trunfo- seja pela combinação harmônica ou pelos aromas, e isso não depende do tempo de preparo. E não, chega de desculpas. Coloque mãos à obra e prepare aquele prato gostoso e bonito com cara de prato de revista. Confira na dica a receite de Carpaccio De Vegetais com Vinagrete de Açafrão.
Receita: Carpaccio de Vegetais
Receita: Carpaccio De Vegetais com Vinagrete de Açafrão
4 porções
Tempo de preparo: 20 minutos
Ingredientes:
• 1 dente de alho picado
• 1/4 de xícara de chá de salsa picada
•
1 colher de chá de pimenta dedo de moça picada
• 3 colheres de sopa de azeite extra virgem
• 1 colher de sopa de óleo de girassol
• 1/2 colher de café de açafrão em estigmas -
se preferir use o nosso açafrão da terra- a curcuma
• 2 colheres de sopa de água quente
• 2 colheres de chá de mostarda
• 1/2 x de pão branco em cubos
• 2 colheres de chá de vinagre balsâmico
• 2 colheres de chá de vinagre branco
sal a gosto
• 2 beterrabas pequenas cruas
• 1/2 cabeça de funcho cru
• 5 flores de couve flor pequenas crua
• 1 nabo redondo cru
• 1 abobrinha crua
• 1 xícara de tomate cru
• 1 pimentão amarelo cru (opcional)
• 1 abacate pequeno
Modo de Preparo:
Coloque o açafrão na água quente para que solte seu aroma. Reserve.
Coloque o alho, a salsa e a pimenta numa bacia; derrame o óleo e o azeite em fio, sempre batendo com um batedor de arame, até que fique emulsionado.
Acrescente o vinagre balsâmico, a mostarda e a água do açafrão.
Deixe os cubos de pão de molho no vinagre branco por um minuto, amasse e acrescente ao molho.
Com uma faca afiada ou com fatiador de legumes (mandolim) corte os legumes e o abacate o mais fino possível.
Arrume os legumes nos pratos , harmonizando as cores de forma que fique atraente aos olhos.
Cuidado para não encher demais.
Regue com o molho e sirva frio.
Curso - Jantar Arrecifes Pescados by Chef Vera Chaves
Inscrições nas lojas Arrecifes Pescados
"Aprenda a fazer peixes e frutos do mar com receitas simples e deliciosas!"
Informações: 3213-4471/3352-8000
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 35 / 38
Cidades
Caminhada pela Paz no Trânsito reúne milhares
Da Redação (com assessoria)
O grande número de acidentes envolvendo condutores alcoolizados e abuso de velocidade motivou que aproximadamente mil pessoas percorressem a pé um trecho da avenida Afonso Pena, em Campo Grande (MS). O protesto aconteceu na manhã do último dia 19 e também fez parte da programação do Encontro Nacional de Segurança e Crimes de Trânsito, realizado na capital no decorrer da última semana. A ação foi organizada pela Companhia Independente de Policiamento de Trânsito (Ciptran) em parceria com a Agência Municipal de Trânsito (Agetran).
No mesmo foco do evento nacional, os organizadores da caminhada esperam que a iniciativa reforçe junto aos motoristas a conscientização da importância da Lei Seca. “A partir de o momento em que se tornarem
mais duras as punições para quem comete o crime de dirigir alcoolizado, o motorista irá pensar duas vezes se vale a pena pegar o volante após ingerir bebidas alcoólicas”, reforça o diretor-presidente da Agetran, Rudel Trindade Junior.
O comandante da Ciptran, tenente-coronel Alírio Villasanti, lembra que o país vive um momento significativo na questão do trânsito. “O evento da última semana demonstra a preocupação de todo o país e órgãos envolvidos na questão, para a efetividade das ações com intuito de diminuir as mortes causadas por acidentes no trânsito. Sabemos que 40% deles são causados por motoristas que fizeram o uso de bebida alcoólica”, considera Villasanti.
Dados alarmantes
texto
Objetivo era chamar atenção para a importância da Lei Seca em Campo Grande
Dados alarmantes
Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou os resultados de uma pesquisa feita por telefone (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - Vigitel 2011), que revelou que Campo Grande ocupa a 6a colocação na lista das capitais em que pessoas assumem dirigir sob qualquer nível de alcoolização, com 6,1% dos entrevistados. Vale lembrar que, em Campo Grande, o número de óbitos por consequência de acidentes de trânsito foi 131. Somente nos três primeiros meses de 2012, já foram contabilizados 29 óbitos.
semanaonline.com.br | 21.abril.2012 | 36 / 38
Leia mais
Índice
Navegar em Página Dupla
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no FaceBook
Comentários sobre este assunto
Expediente
Ouça a Rádio FM UCDB 91,5
Expediente
Expediente Semana Online
Gestão do Projeto
:: Jomari Dutra da Silva - contato@semanaonline.com.br
:: Marcelo Miranda - marcelo@semanaonline.com.br
:: Victor Barone - victorbarone@semanaonline.com.br
Colaboraram Nesta Edição
:: Agência Folha
:: Dijan de Barros - Coluna Mundo Corporativo
:: Elis Regina - Jornalista e Fotógrafa
:: Guilherme Cavalcante - Jornalista e Coluna True Collors